História, mitos e fontes: do primeiro baralho alemão ao Lenormand
Como esta página está organizada
- Parte 1 — O essencial (comece por aqui). As perguntas mais comuns sobre os naipes e sobre a origem do Baralho Cigano, cada uma com uma resposta curta, a história por trás dela e o que é conclusivo e o que não é. No fim: o que continua em aberto, a minha conclusão e as perguntas frequentes.
- Parte 2 — Dossiê técnico. Todas as fontes, uma a uma, com citações no idioma original, tradução, página e link. É para quem quer conferir, pesquisar ou ir mais fundo.
Parte 1 — O essencial
Por que eu fiz esta pesquisa
Quem estuda o Baralho Cigano conhece aquele parágrafo. Ele aparece em livros, cursos, vídeos e posts, quase sempre com as mesmas palavras: os naipes alemães representariam as classes da sociedade medieval. Copas seria o clero, guizos a nobreza, folhas a classe média, bolotas os camponeses. E isso daria um "tom" a cada carta do Baralho Cigano que traz um desses naipes.
Eu também aprendi assim. Quando estava pesquisando os naipes a fundo para a primeira impressão do Os Mistérios do Baralho Cigano, fui procurar a fonte dessa afirmação. Quem disse isso pela primeira vez? Em que documento? De que século?
Não encontrei. E, quanto mais eu procurava, mais aparecia outra coisa: uma história muito mais curiosa e muito mais bem documentada do que o mito. Ela passa por um dicionário alemão de 1737, um antiquário inglês de 1763, duas cartomantes de Leipzig que não concordavam entre si, um jogo de tabuleiro vendido em Nuremberg em 1797 e uma vidente famosa de Paris que nunca desenhou um baralho.
Nesta página, reúno o que encontrei. Não importa se a resposta é positiva ou negativa: o objetivo é saber o que é verdade e passar esse conhecimento adiante. Quando a fonte existe, eu mostro. Quando não existe, eu digo onde a trilha acaba.
Em 1 minuto
- Os naipes alemães são Herz (copas), Laub (folhas), Schellen (guizos) e Eicheln (bolotas). Aparecem nas cartas a partir de meados do século XV.
- Não há nenhuma fonte medieval dizendo que eles representam classes sociais. Essa ideia aparece pela primeira vez em 1763, na Inglaterra, e em 1784, na Alemanha.
- "Folhas = classe média" não tem fonte antiga. "Burgueses" aparece em 1857; "classe média", como fórmula pronta, só em páginas da internet de 2006 e 2007.
- Não existe um significado "original" dos naipes. Antes de 1800 já circulavam pelo menos cinco sistemas diferentes, e as duas listas de cartomancia mais antigas se contradizem.
- O Baralho Cigano nasceu como um jogo de tabuleiro alemão, Das Spiel der Hofnung ("O Jogo da Esperança"), à venda em Nuremberg em 1797.
- As cartinhas do canto (uma alemã e uma francesa) estavam lá, segundo o próprio folheto do jogo, para jogar jogos de cartas comuns e comparar os dois baralhos. Não para dar significado.
- Mademoiselle Lenormand não criou o baralho. O nome dela foi colocado nele em 1845, dois anos depois que ela morreu.
- Não há evidência de que o baralho seja cigano. A ideia de que os ciganos trouxeram a cartomancia foi impressa em 1781 e refutada já em 1784.
E no Os Mistérios? Eu uso os naipes no Baralho Cigano por escolha, numa linha de método com origem conhecida, a francesa e inglesa, e não como herança dos naipes alemães. Explico por quê em E os naipes no método do livro?
Antes de começar: o que são os naipes alemães?
O baralho que usamos no Brasil para jogar truco ou buraco é o baralho francês: copas, espadas, ouros e paus. Mas, na Alemanha e na Europa Central, existia (e ainda existe) outro sistema, com outros desenhos:
| Naipe alemão | Tradução | Equivale no baralho francês a |
|---|---|---|
| Herz ou Rot | coração, "vermelho" | copas ♥ |
| Laub, Grün ou Gras | folhas, "verde", "grama" | espadas ♠ |
| Schellen | guizos | ouros ♦ |
| Eicheln | bolotas (o fruto do carvalho) | paus ♣ |
Em alemão, naipe se diz Farbe, "cor". Por isso dois naipes têm nome de cor.
E onde eles entram no Baralho Cigano? Nos baralhos mais antigos, cada uma das 36 cartas trazia, no alto, duas cartinhas de baralho em miniatura: uma alemã à esquerda e uma francesa à direita. Os baralhos de hoje normalmente só têm a francesa. A história dessas cartinhas é o fio desta página.
1. De onde vêm os naipes alemães?
Resposta curta: os quatro naipes alemães aparecem nas cartas em meados do século XV. Os baralhos alemães mais antigos e famosos (Stuttgart, por volta de 1430, e Ambras, por volta de 1440) não usam esses naipes: usam falcões, patos, cães, cervos e garças.
A história. As cartas de jogar chegaram às terras alemãs no fim do século XIV. Um frade que escrevia em 1377 já fala delas, mas não diz quais eram os símbolos. Durante décadas, os fabricantes experimentaram: rosas, coroas, moedas, anéis, animais de caça, brasões. Os naipes que conhecemos como "alemães" só se firmam aos poucos. O texto mais antigo encontrado que cita guizos e bolotas como símbolos "das cartas dos alemães" é um manuscrito latino datado de 1460.1 O mais antigo que nomeia os quatro juntos é uma canção de meados do século XVI: „herz, schellen, gras und eichel" (copas, guizos, grama e bolota).2
| ✅ Conclusivo | ❓ Não conclusivo |
|---|---|
| Nenhum objeto com data segura anterior a ~1450 mostra os quatro naipes. | O ano exato em que os quatro naipes se tornaram o padrão (os especialistas discordam entre ~1450 e o fim do século XV). |
| Os baralhos de Stuttgart e Ambras não têm os naipes alemães. |
Para se aprofundar: Dossiê, seção 2.
2. Os naipes alemães representam as classes sociais da Idade Média?
Resposta curta: não há nenhuma fonte medieval que diga isso. A leitura dos naipes como classes sociais (os "estamentos") aparece pela primeira vez em 1763, com o antiquário inglês William Stukeley, e em 1784, com o estudioso alemão J. G. I. Breitkopf. Só em 1860 uma enciclopédia alemã afirmou que essa ideia vinha "da Idade Média", sem citar fonte.
A história. Em 1763, Stukeley mostrou a uma sociedade de antiquários em Londres os desenhos de um baralho alemão antigo e disse que ele imaginava (conceived) que os naipes representavam "as ordens de homens": guizos para a nobreza, copas para os eclesiásticos, folhas para a pequena nobreza proprietária de terras e bolotas para camponeses, lenhadores e caçadores.3 Era uma ideia dele, não uma tradição.
Vinte anos depois, Breitkopf, em Leipzig, propôs um esquema parecido, mas diferente: guizos para a nobreza, copas para o clero, verde para quem vive da lavoura e da criação de gado, bolotas para os servos.4 Para isso, ele copiou uma leitura que já existia para os naipes franceses, criada por um jesuíta francês em 1704.
Os dois discordam entre si sobre as folhas e as bolotas. E nenhum dos dois fala em "burgueses" ou "classe média".
O passo seguinte veio das enciclopédias do século XIX. Em 1860, a enciclopédia de Pierer escreveu que "o gosto alegórico do fim da Idade Média" via nos naipes os emblemas do clero, dos burgueses, dos servos e da nobreza.5 É dessa frase, sem fonte, que vem a ideia de que isso é "medieval".
O maior especialista alemão no assunto é Detlef Hoffmann, do Museu Alemão das Cartas de Jogar. Em 1973, ele escreveu que nenhum autor conseguiu provar essa simbologia para a época em que as cartas surgiram, e que a questão "continua em aberto".6
E "folhas = classe média"?
Essa fórmula se formou aos poucos. Stukeley disse "pequena nobreza rural", Breitkopf disse "lavradores", e em 1816 um autor inglês escreveu que os lavradores eram a "classe média" de antigamente. A palavra "burgueses" para o naipe de folhas aparece pela primeira vez numa enciclopédia alemã de 1857, sem fonte.7 E a frase pronta "leaves = the middle class" não foi encontrada antes de duas páginas da internet de 2006 e 2007.
| ✅ Conclusivo | ❓ Não conclusivo |
|---|---|
| A leitura dos estamentos começa em 1763/1784, e não na Idade Média. | Se algum texto do século XVII, ainda não localizado, já fazia essa leitura. |
| "Burgueses" para as folhas aparece em 1857; "classe média", como fórmula, em 2006–07. | |
| Nenhum autor da cadeia cita um documento medieval. |
Para se aprofundar: Dossiê, seções 3 e 4.
3. Existe um significado "original" para cada naipe?
Resposta curta: não. Antes de 1800 já existiam pelo menos cinco sistemas diferentes e incompatíveis: vícios dos jogadores, estações do ano, elementos, classes sociais e significados de cartomancia. E as duas listas de cartomancia mais antigas se contradizem em três dos quatro naipes.
A história. Em 1737, a grande enciclopédia alemã de Zedler deu três leituras ao mesmo tempo:8
| Naipe | Vício do jogador | Estação | Elemento |
|---|---|---|---|
| Bolotas | porco (quem joga demais) | outono | terra |
| Folhas | leviano | primavera | água |
| Copas | coração endurecido | verão | fogo |
| Guizos | tolo | inverno (guizos do trenó) | ar |
As justificativas são inventadas a partir dos desenhos: a folha é água "porque a água é dessa cor"; os guizos são ar "porque o ar produz o som".
Para a cartomancia, as duas fontes mais antigas são de Leipzig. Veja como elas concordam pouco:
| Naipe | Peuschel, 1769 | Entdektes Geheimniß, c. 1780–91 |
|---|---|---|
| Copas | amor, casamentos | sinceridade, amizade, amor |
| Folhas | tristeza, doença | esperança agradável, sorte |
| Bolotas | bom sustento, presentes | desgraças, perdas |
| Guizos | falsidade, intrigas | riqueza, vida tranquila |
As duas só concordam em copas (amor). Nos outros naipes, uma lista diz o oposto da outra.910 O próprio Peuschel avisa que outras cartomantes davam ainda outros significados. E o dicionário alemão de referência da década de 1790 explica os nomes apenas pela forma: a folha "porque representa a folha de uma árvore", os guizos "pela sua figura".11
| ✅ Conclusivo | ❓ Não conclusivo |
|---|---|
| Os sistemas antigos são vários e se contradizem. | O que o próprio Harsdörffer, citado por Zedler, escreveu no século XVII. |
| Nenhuma lista antiga cita uma fonte para os seus significados. |
Para se aprofundar: Dossiê, seção 3.
4. Os guizos são "guizos de falcão"?
Resposta curta: essa é uma ideia de Stukeley, em 1763. Breitkopf, em 1784, pensava em outra coisa: guizos como adorno da roupa de príncipes. E o dicionário de Adelung diz apenas que o naipe tem esse nome por causa da forma.12
Quando você encontrar "guizos de falcão" num livro ou site, saiba que a origem é uma sugestão de um antiquário inglês, não um costume alemão documentado.
Para se aprofundar: Dossiê, seção 3 (1763).
5. O Baralho Cigano veio dos ciganos?
Resposta curta: não há evidência disso. A ideia de que os ciganos trouxeram as cartas ou a cartomancia para a Europa foi impressa pela primeira vez em 1781, por um autor francês. E foi refutada já em 1784, porque as cartas existiam na Europa antes da chegada dos ciganos. Os especialistas não encontraram registro de ciganos lendo a sorte com cartas antes do século XX. O método tradicional deles era a leitura das mãos.13
A história. No século XIX, várias enciclopédias alemãs repetiram que as cartas ou a cartomancia teriam vindo "provavelmente" dos ciganos, sem citar fonte. A partir daí, o nome "cigano" colou nas cartas de adivinhação. Mas é um rótulo, não uma origem.
| ✅ Conclusivo | ❓ Não conclusivo |
|---|---|
| A afirmação é de 1781 e foi refutada em 1784. | Quando e como, no Brasil, o baralho Lenormand passou a se chamar "Baralho Cigano" (não foi pesquisado aqui). |
| Não há registro de ciganos usando cartas para ler a sorte antes do século XX. |
Para se aprofundar: Dossiê, seção 5.
6. Mademoiselle Lenormand criou o Baralho Cigano?
Resposta curta: não. Marie-Anne Le Normand (1772–1843) foi a cartomante mais famosa da Paris de Napoleão, mas usava um baralho comum de 32 cartas (o baralho de piquet). O nome dela só aparece num baralho de 36 cartas no fim de 1845, dois anos depois da sua morte, por editores alemães de Coblença. O primeiro anúncio em jornal é de fevereiro de 1846.
A história. Logo depois da morte dela, o nome "Lenormand" virou marca. Em Paris saiu o Grand Jeu de Mlle Lenormand, de 54 cartas. Na Alemanha, em 1845, apareceu à venda "A cartomante Mlle. Lenormand", 36 cartas "publicadas pelos herdeiros dela, Chator".14 Em 1855, anúncios de jornal diziam que "com estas cartas" ela tinha previsto a grandeza de Napoleão. Nenhuma dessas afirmações vem acompanhada de prova.
Os autores de A Wicked Pack of Cards (1996), a principal obra acadêmica sobre o assunto, concluem: ela "não criou nem sequer inspirou nenhum baralho de cartomancia".15 Detlef Hoffmann resume: dar o nome de videntes famosos aos baralhos era uma prática comum, e não fazia diferença se essas pessoas tinham ou não alguma coisa a ver com cartas.16
| ✅ Conclusivo | ❓ Não conclusivo |
|---|---|
| Ela usava um baralho de 32 cartas, não o de 36 figuras. | Quem eram os "herdeiros Chator" (provavelmente um nome comercial). |
| O nome dela foi usado comercialmente a partir de 1845. |
Para se aprofundar: Dossiê, seção 8.
7. Qual é a verdadeira origem do Baralho Cigano?
Resposta curta: um jogo de tabuleiro de Nuremberg, Das Spiel der Hofnung ("O Jogo da Esperança"). Ele já estava à venda em julho de 1797. Em 1799, aparecia no catálogo do editor G. P. J. Bieling com o nome de Johann Kaspar Hechtel. As suas 36 cartas têm as mesmas figuras do Baralho Cigano de hoje, na mesma ordem e com as mesmas cartinhas francesas.
A história. Era um jogo de percurso para a família, parecido com o Ludo ou o Jogo da Glória. As 36 cartas eram dispostas num quadrado de 6 × 6, e cada jogador avançava com dois dados. Algumas casas eram boas (a estrela dava 6 fichas). Outras eram ruins (a cobra cobrava 3 fichas; o caixão deixava o jogador "dado como morto"). Quem caía exatamente na âncora, a casa 35, ganhava o pote inteiro.17
O nome do jogo explica muita coisa. No folheto, a carta 31 é chamada de "sol da esperança", e a 35, de "âncora da esperança". Era, literalmente, um jogo sobre chegar à esperança.
Os três exemplares que sobreviveram estão no British Museum (Londres) e no Museum De Lakenhal (Leiden). Nenhum deles traz impresso o ano ou o nome do autor. Detlef Hoffmann e os três autores de A Wicked Pack of Cards (Ronald Decker, Thierry Depaulis e Michael Dummett) identificaram esse jogo como o protótipo do Lenormand de 36 cartas.18 As cartas confirmam isso: os baralhos Lenormand do século XIX repetem as figuras, uma por uma.
| ✅ Conclusivo | ❓ Não conclusivo |
|---|---|
| O jogo estava à venda em julho de 1797; "Hechtel, 1799" é a data de um catálogo de vendas. | Como era a primeira edição (os exemplares que sobreviveram são de uma "nova edição"). |
| As figuras, a numeração e as cartinhas francesas do Lenormand vêm desse jogo. | Se Hechtel foi mesmo o criador ou apenas o nome com que o jogo foi listado. |
Para se aprofundar: Dossiê, seção 7.
8. Por que o Baralho Cigano tem uma cartinha de baralho no canto?
Resposta curta: porque o Jogo da Esperança também servia como um baralho comum. O próprio folheto do jogo explica isso.
A história. Na página 4 do folheto, o editor escreve que as imagens alemãs e francesas foram colocadas no alto das cartas "para que todos os jogos de cartas imagináveis que se jogam com as cartas alemãs e francesas comuns possam ser jogados com estas 36 cartas", e que assim "também se pode aprender com facilidade a comparação entre o baralho alemão e o francês".17
São dois motivos práticos: jogar e aprender. Nenhum deles fala de significado.
| ✅ Conclusivo | ❓ Não conclusivo |
|---|---|
| O folheto dá o motivo das miniaturas: jogos comuns e comparação entre os baralhos. | — |
| Nenhum folheto do século XIX que li dá significado às miniaturas. |
Para se aprofundar: Dossiê, seções 7 e 8.
9. Então os naipes têm significado na leitura do Baralho Cigano?
Resposta curta: historicamente, não. Os folhetos antigos dão significado às figuras e à distância entre elas e a carta do consulente, nunca à cartinha do canto. Os significados por naipe usados hoje são convenções modernas, e não uma herança dos criadores do baralho.
A história. Fiz um teste simples. Comparei cada figura do Jogo da Esperança com o significado que as cartomantes da época davam à carta de baralho impressa nela. O resultado foi zero coincidências em 36 cartas.19 A Carta (27), por exemplo, traz o 7 de folhas, e não as cartas que as cartomantes liam como "carta de correio".
Outro detalhe revelador: no baralho Lenormand mais antigo cujas cartas foram vistas (Coblença, o conjunto "dos herdeiros Chator"), as figuras de corte (reis, damas e valetes) nem trazem o símbolo do naipe.20 Quem fez esse baralho não estava preocupado com o naipe.
Ao longo do século XIX, o que os folhetos explicam é sempre a figura: a cobra é falsidade, o anel é união, as nuvens trazem preocupações. A cartinha do canto ficou lá porque fazia parte do desenho. E também porque, em 1879, o fisco alemão passou a cobrar imposto sobre esses baralhos justamente por terem cartas de jogar.21
| ✅ Conclusivo | ❓ Não conclusivo |
|---|---|
| Nenhum folheto lido, de 1797 a ~1900, dá significado às miniaturas ou aos naipes. | Se algum folheto das décadas de 1840 a 1860, ainda não localizado, fazia isso. |
| As figuras não "combinam" com o significado que as suas cartas de baralho tinham na época (0 de 36). |
Então por que o Os Mistérios usa os naipes? Porque um método pode ser uma escolha, desde que se diga de onde ele vem. Explico em E os naipes no método do livro?
Para se aprofundar: Dossiê, seções 7 e 8.
10. Por que 36 cartas? E de onde vem a "Mesa Real"?
Resposta curta: 36 é o número de casas do tabuleiro do Jogo da Esperança (6 × 6). É também o número de cartas formado pelas miniaturas: um baralho completo, do 6 ao ás em cada naipe, formato típico das terras alemãs. E a grande tiragem com as 36 cartas já está descrita no folheto do jogo.
A história. O folheto termina com um "divertido jogo de adivinhação". As 36 cartas são embaralhadas e distribuídas em 5 fileiras, quatro de 8 cartas e uma de 4. Se quem pergunta é mulher, a história começa pela carta 29; se é homem, pela carta 28, e segue pelas figuras que estão perto dela.17 É exatamente a disposição 8-8-8-8-4 que muitos leitores hoje chamam de Grand Tableau ou Mesa Real. Um folheto holandês posterior repete a mesma regra, palavra por palavra.22
Um detalhe que pouca gente conhece: o folheto diz que a história deve ser contada "de brincadeira" (scherzhaft), como diversão para "uma roda alegre".
| ✅ Conclusivo | ❓ Não conclusivo |
|---|---|
| A tiragem 8-8-8-8-4, com as cartas 28 e 29 como consulentes, já está no folheto do Jogo da Esperança. | Se essa tiragem já estava na primeira edição, de 1797 (o folheto lido é da segunda). |
Para se aprofundar: Dossiê, seção 7.
11. De onde vêm as 36 figuras?
Resposta curta: não se sabe com certeza. Mas 18 das 36 figuras já aparecem numa lista de figuras da borra de café impressa em Leipzig em 1769, inclusive a âncora como sinal de esperança.
A história. No século XVIII, ler a sorte na xícara de café estava na moda entre as mulheres alemãs. A lista de Peuschel, de 1769, interpreta figuras como navio (riqueza), chave, caixão (luto), peixes (maledicência), raposa (astúcia), cobra (inimigos), jardim, buquê (amor constante), torre (vida longa), cruz (sofrimento), criança, cegonha, pássaros (bons amigos), cão (bons mensageiros), árvores, trevo (sorte), coração e âncora (esperança).23
É uma coincidência grande demais para ser ignorada, mas não é uma prova. Nenhum documento diz que o criador do jogo usou essa lista.
| ✅ Conclusivo | ❓ Não conclusivo |
|---|---|
| 18 das 36 figuras estão numa lista de borra de café de 1769. | Se o criador do jogo se inspirou nela ou num conjunto de imagens ainda não encontrado. |
Para se aprofundar: Dossiê, seção 6.
12. Por que a cartinha alemã desapareceu?
Resposta curta: ninguém deixou isso por escrito. O que se sabe é que, em 1845, no primeiro baralho com o nome Lenormand cujas cartas foram vistas, ela já não existia. Só ficou a francesa.
A história. Examinei imagens de 35 baralhos do tipo Lenormand, de 1797 até o século XX. Depois do Jogo da Esperança, nenhum deles traz a carta alemã.24 O baralho de Coblença "dos herdeiros Chator", ligado ao registro de 1845, já tem só a carta francesa.20 Não se encontrou nenhum baralho feito entre o Jogo da Esperança e 1845. Por isso, ainda não se sabe exatamente quando a carta alemã saiu.
| ✅ Conclusivo | ❓ Não conclusivo |
|---|---|
| A carta alemã já não aparece no primeiro baralho com o nome Lenormand que foi visto. | Quando ela saiu e por quê. |
Para se aprofundar: Dossiê, seção 8.
O que está provado, o que não está e o que continua aberto
✅ Está provado pelas fontes
- Os naipes alemães aparecem nas cartas em meados do século XV.
- Antes de 1800, havia vários sistemas de significado para os naipes, e eles se contradizem.
- A leitura dos naipes como classes sociais começa em 1763 e 1784, não na Idade Média.
- O Baralho Cigano descende do Spiel der Hofnung, um jogo de tabuleiro de Nuremberg à venda em 1797.
- Segundo o próprio folheto, as miniaturas estavam lá para os jogos comuns e para comparar os baralhos.
- A grande tiragem com as 36 cartas (8-8-8-8-4, com as cartas 28 e 29) já está no folheto do jogo.
- O nome de Lenormand foi colocado no baralho em 1845, depois da morte dela.
❌ Não tem fonte (pelo que se pesquisou)
- Que os naipes alemães tinham significado social na Idade Média.
- Que "folhas = classe média" é uma tradição antiga.
- Que o baralho veio dos ciganos.
- Que Lenormand criou ou usou este baralho.
- Que o criador do jogo deu aos naipes uma "atmosfera" do folclore germânico.
❓ Continua em aberto: perguntas para quem quiser continuar a pesquisa
Estas são as perguntas que as fontes ainda não respondem. Para cada uma, indico o que poderia resolvê-la.
- O que Harsdörffer escreveu sobre os naipes no século XVII? Se as leituras de estações e elementos citadas por Zedler forem mesmo dele, elas seriam mais de um século mais antigas que a leitura das classes sociais. O que resolveria: encontrar o trecho nas obras de Harsdörffer.
- Como era a primeira edição do Jogo da Esperança, de 1797? Já tinha as duas cartinhas? Já tinha a tiragem de adivinhação? O que resolveria: um exemplar da primeira edição.
- O criador do jogo pensou nos naipes como "bons" e "ruins"? No tabuleiro, as casas que mandam avançar têm copas ou folhas, e as que mandam voltar ou esperar têm guizos ou bolotas. É um padrão que dá para contar, mas nenhum texto da época o explica. Pode ser coincidência ou intenção. O que resolveria: um texto do autor ou do editor sobre o desenho do jogo.
- As figuras vieram da leitura da borra de café? A coincidência com a lista de 1769 é grande (18 de 36). O que resolveria: um conjunto de imagens de borra de café anterior a 1797 com as mesmas figuras.
- Quando e por que a carta alemã foi abandonada? Uma hipótese possível: o baralho francês dominava o mercado e também as viagens do baralho para fora da Alemanha. Mas isso é uma hipótese, não um fato. O que resolveria: baralhos datados entre 1800 e 1845 ou um texto de fabricante.
- O baralho de Munique de 1813 que o British Museum cataloga com o nome de Lenormand trazia esse nome no próprio objeto? As cartas já foram vistas e não são o sistema do Jogo da Esperança: não têm número nem cartinha de baralho, e cada figura tem um título em alemão. Falta saber se o nome "Lenormand" está impresso em algum lugar do baralho ou se foi dado pelo catálogo. O que resolveria: ver o estojo ou as instruções desse baralho, ou o segundo exemplar de Munique (British Museum 1896,0501.275).
- Quem eram os "herdeiros Chator"? Provavelmente, um nome comercial. O que resolveria: registros dos editores de Coblença da década de 1840.
- Como o Lenormand chegou ao Brasil e virou "Baralho Cigano"? Essa parte da história ainda não foi pesquisada aqui e merece um estudo próprio.
Minha conclusão
Esta parte é a minha opinião, com base no que as fontes mostram.
Comecei esta pesquisa procurando a origem de um significado e encontrei a origem de um baralho. E acho essa segunda história muito mais bonita do que o mito.
O Baralho Cigano não nasceu como um oráculo cigano. Nem como o sistema secreto de uma vidente francesa, nem como um código medieval de classes sociais. Ele nasceu como um jogo alemão de família, chamado Jogo da Esperança, em que se ganhava ao chegar à âncora. Tinha cartinhas de baralho no canto para que a família também pudesse jogar cartas com ele. E, no fim do folheto, sugeria uma leitura da sorte feita de brincadeira, olhando as figuras ao redor do homem ou da mulher.
Isso não diminui o baralho. Pelo contrário: mostra que o que dá vida ao Baralho Cigano sempre foram as figuras e as relações entre elas. É isso que os folhetos do século XIX explicam, e é isso que ainda hoje faz a leitura funcionar.
E os naipes? Quem usa os naipes na leitura não está "errado". Mas é bom saber que esses significados são construções modernas, e não uma herança dos criadores do baralho. Usar um sistema por escolha é legítimo. O que eu acho que precisamos parar de fazer é apresentá-lo como tradição antiga, sem fonte.
No fim, o que eu mais gostaria é que esta página servisse de ponto de partida. Cada pergunta em aberto lá em cima é um convite. Se você encontrar uma fonte que eu não encontrei, me escreva.
E os naipes no método do livro?
Muita gente me pergunta por que eu não uso os significados dos naipes alemães e por que eles não aparecem no meu livro. Esta pesquisa é a resposta. No livro, eu já jogava com o método que descrevo nele. Ao aprofundar a questão dos naipes alemães, decidi não incluí-los, pela complexidade do tema e pela falta de clareza das fontes primárias.
Não encontrei nada concreto que mostre que o criador do Jogo da Esperança usou o significado dos naipes alemães ao ligar cada naipe a cada carta. Também não encontrei nenhum autor anterior ao jogo que desse aos naipes um sentido que combinasse com as suas figuras. Os naipes alemães são importantes para a história do baralho, mas têm pouca relação com a leitura do Baralho Cigano.
Essa relação nasce depois, com autores e cartomantes que usavam os baralhos de tradição francesa e inglesa. Em 1770, Etteilla publicou o primeiro manual de cartomancia para o baralho piquet, de 32 cartas, com significados fixos e regras de leitura. Com ele, os naipes ganharam uma estrutura clara, e os métodos ficaram mais fáceis de entender e de ensinar. Esses métodos passaram de autor para autor até chegar ao Baralho Cigano.
É nessa linha que eu construí o meu método. Nele, o naipe já faz parte da carta e não é lido carta a carta: ele entra por métodos que olham para o conjunto da jogada, como as cores, a combinação de um naipe com outro, a quantidade de cartas de cada naipe e os números. É uma escolha, e eu digo de onde ela vem. Explico como esses métodos funcionam em O Naipe no Baralho Cigano e a sua Importância, e o passo a passo completo está no capítulo 12 do livro Baralho Cigano: O Guia Definitivo.
Perguntas frequentes
O que significam os naipes do Baralho Cigano? Nos baralhos antigos, as cartinhas do canto não tinham significado. Estavam lá para os jogos de cartas comuns. Os significados por naipe usados hoje são convenções modernas.
Copas, folhas, guizos e bolotas representam classes sociais? Essa leitura foi proposta em 1763 e 1784. Não existe fonte medieval para ela, e os especialistas consideram a questão não provada.
O Baralho Cigano tem origem cigana? Não há evidência disso. O baralho nasceu de um jogo alemão de 1797, e o nome "cigano" é um rótulo posterior.
Quem criou o Baralho Cigano? O protótipo é o Spiel der Hofnung, à venda em Nuremberg em 1797 e listado em 1799 pelo editor G. P. J. Bieling com o nome de J. K. Hechtel.
Mademoiselle Lenormand usava o Baralho Cigano? Não. Ela usava um baralho comum de 32 cartas. O nome dela aparece num baralho de 36 cartas no fim de 1845, numa lista de editores, e no primeiro anúncio de jornal em fevereiro de 1846, depois da sua morte.
Por que o Baralho Cigano tem 36 cartas? Porque o Jogo da Esperança tinha 36 casas (6 × 6), e as miniaturas formavam um baralho completo de 36 cartas, do 6 ao ás.
De onde vem a Mesa Real (Grand Tableau)? A disposição 8-8-8-8-4, com as cartas 28 e 29 como consulentes, já está descrita no folheto do Jogo da Esperança.
Os guizos são guizos de falcão? Essa é uma interpretação de 1763, do antiquário inglês William Stukeley. Não é uma tradição alemã documentada.
Linha do tempo
1377
Primeira menção às cartas em terras alemãs (sem nomear os naipes)
c. 1430–1440
Baralhos de Stuttgart e de Ambras, com naipes de caça
1460
Guizos e bolotas são citados como símbolos "das cartas dos alemães"
meados do séc. XVI
Uma canção nomeia os quatro naipes juntos
1737
Zedler: naipes como vícios, estações e elementos
1763
Stukeley: naipes como "ordens de homens"
1769
Peuschel: primeiros significados de cartomancia e lista de figuras da borra de café
c. 1780–91
Livreto de Leipzig com significados opostos aos de Peuschel
1781
Primeira afirmação de que os ciganos trouxeram a cartomancia
1784
Breitkopf: naipes como estamentos; refuta a origem cigana
1797
O Jogo da Esperança à venda em Nuremberg
1799
O catálogo de Bieling lista o jogo com o nome de Hechtel
1843
Morre Mlle Lenormand
1845
Primeiro baralho de 36 cartas com o nome Lenormand (Coblença)
1857–1860
Enciclopédias alemãs: "burgueses" e "Idade Média"
1879
A Alemanha passa a tributar os baralhos Lenormand como cartas de jogar
1973
Hoffmann: a simbologia das classes é "uma questão em aberto"
1996
A Wicked Pack of Cards: Lenormand "não criou nem inspirou" nenhum baralho
2006–07
"Folhas = classe média" aparece em páginas da internet
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Parte 2 — Dossiê técnico
Para quem quer vasculhar. A Parte 1 é o essencial. Esta segunda parte é o registro completo da pesquisa: cada fonte, com a citação no idioma original, a tradução, a página, o link e a forma como eu a li. Ela foi feita para pesquisadores, para estudantes e para quem quer conferir cada afirmação. As notas de rodapé de toda a página ficam no final.
Como ler este dossiê.
- Cada afirmação é datada pelo momento em que foi feita. Um livro de 1860 é prova do que as pessoas acreditavam em 1860. Não é prova do que uma carta significava em 1450.
- Apresento cada significado só como afirmação do autor que o fez, com nome, data e página. No dossiê não acrescento interpretação minha. A minha opinião está separada, na Parte 1 ("Minha conclusão").
- As citações em alemão, latim, francês e inglês mantêm a grafia original e vêm seguidas de uma tradução para o português.
- As citações de Zedler, Breitkopf, Peuschel, do livreto de cartomancia de Leipzig, de Pierer e de Stukeley foram conferidas letra por letra nas imagens das páginas das edições originais. Para as demais citações, a nota de rodapé diz como cada uma foi lida.
- Neste dossiê, "não encontrado" quer dizer que procurei e não encontrei nada. Não quer dizer que não exista. A pesquisa teve limites, e eu os listo no final.
1. Os quatro naipes e seus nomes
Em alemão, o naipe se chama Farbe, que quer dizer "cor". É por isso que dois naipes têm nome de cor: Rot (vermelho) e Grün (verde).
| Nome(s) em alemão | Tradução | Nome em inglês | Naipe francês ao lado do qual aparece nas cartas do Jogo da Esperança (1797/99) |
|---|---|---|---|
| Herz, Rot (Roth) | corações, "vermelho" | Hearts | Cœur (copas ♥) |
| Laub, Grün, Gras, Blätter | folhas, "verde", "grama" | Leaves | Pique (espadas ♠) |
| Schellen | guizos | Bells | Carreau (ouros ♦) |
| Eicheln, Ecker | bolotas (glandes do carvalho) | Acorns | Trèfle (paus ♣) |
As figuras são o König (rei), o Ober (literalmente "o de cima") e o Unter ("o de baixo"). A carta de pontos mais alta é o Daus, que traz dois símbolos. O dicionário de Adelung, da década de 1790, explica que a palavra vem do francês deux ("dois") e que o Daus faz no baralho alemão o papel que o ás faz no francês.25
O que os nomes significavam para os alemães do século XVIII. O dicionário alemão de referência da época, o Grammatisch-kritisches Wörterbuch de Johann Christoph Adelung, explica os nomes pelo desenho dos símbolos. Ele não dá a eles nenhum significado simbólico:
„In der Deutschen Karte wird die grüne Farbe, weil sie das Blatt eines Baumes vorstellet, Laub genannt." (No baralho alemão, o naipe verde é chamado Laub [folhagem] porque representa a folha de uma árvore.)11
„Schellen in der Deutschen Karte haben ihren Nahmen ihrer Figur zu danken." (Os guizos do baralho alemão devem o seu nome à sua forma.)12
A correspondência entre naipes alemães e franceses não era fixa. Duas fontes, escritas com poucos anos de diferença, combinam as figuras de maneiras opostas:
- As cartas do Jogo da Esperança colocam o Ober ao lado da dama francesa e o Unter ao lado do valete (ver seção 7). Adelung concorda: o Ober é o que os franceses chamam de Dame (dama), e o Unter é o Valet ou Bube (valete).26
- O livreto de cartomancia de Leipzig Entdektes Geheimniß (por volta de 1780–91) faz o contrário. Ele imprime „Die Dame, — der Unter, oder das Frauenzimmer" (a dama — o Unter, ou a senhora) e „Der Valet, — der Ober" (o valete — o Ober).27
Nos naipes, esse livreto e as cartas do Jogo da Esperança concordam: Trèfle (paus) = Eicheln (bolotas), Pique (espadas) = Grün (verde), Caro (ouros) = Schellen (guizos), Coeur (copas) = Roth (vermelho). Um autor inglês moderno, W. Gurney Benham (1931), sugeriu o par contrário para dois deles: bolotas com espadas e folhas com paus.28
2. De onde vêm os naipes: os objetos e textos mais antigos
Os famosos baralhos antigos não têm esses naipes
Os dois baralhos alemães de luxo mais antigos que chegaram até nós aparecem com frequência nas histórias dos naipes alemães. Só que eles não têm os naipes alemães.
- As cartas de Stuttgart (Landesmuseum Württemberg, "por volta de 1430") têm naipes de falcões, patos, cães e cervos.29
- As cartas de caça de Ambras (Kunsthistorisches Museum, Viena, "c. 1440/45") têm falcões, garças, cães e iscas de falcoaria.30
Outros baralhos gravados do século XV usam flores, homens selvagens, animais, brasões ou elmos. No século XVI, Virgil Solis usou papagaios, macacos, pavões e leões (British Museum, "c. 1550"), e Jost Amman usou batedores de tinta de impressor, livros, copos e taças (1588).31
Os objetos mais antigos que têm esses naipes
- Não encontrei nenhuma carta com data segura anterior a cerca de 1450 que mostre qualquer um dos quatro símbolos alemães.
- As mais antigas que encontrei são cartas do British Museum recuperadas de encadernações antigas. As datas delas são apenas aproximadas: um rei de copas, "por volta de 1450–1500" (1867,0309.292), e as chamadas "cartas de Stukeley", um baralho em xilogravura que o museu data do "século XV" (1896,0501.522).32 O especialista alemão Hellmut Rosenfeld, segundo Detlef Hoffmann, datou as cartas de Stukeley bem mais tarde, por volta de 1550.33
- Os primeiros baralhos confirmados por descrição de catálogo com os quatro naipes juntos são o de Hans Schäufelein (por volta de 1535) e o de Peter Flötner (por volta de 1540). No naipe de bolotas de Flötner, cinco cartas mostram porcos. As cartas de folhas mostram cenas de lavradores e camponeses.34
A data em que o conjunto de quatro naipes virou o padrão é um julgamento moderno, e os autores modernos discordam. Timothy Husband (2015) diz "apenas no final do século XV". A Wikipédia em inglês, citando Michael Dummett (1980), diz "por volta de 1450".35
Os textos mais antigos
| Data | Texto | Nomeia copas, folhas, guizos ou bolotas? |
|---|---|---|
| 1377 (data do próprio texto) | Johannes de Rheinfelden, Tractatus de moribus | Não. Cada rei segura "um certo sinal", que não é nomeado.36 |
| 1432/33 | Mestre Ingold, Das guldin spil ("O jogo de ouro") | Não. Nomeia rosas, coroa, moeda e anel.37 |
| 1460 (data de Rumpf) | Um texto em latim num manuscrito de Munique | Guizos e bolotas, como símbolos "nas cartas dos alemães" (ver seção 3).1 |
| c. 1505–1520 (segundo Hofmeister) | Eyn loszbuch ausz der karten gemacht, um livro de sortes feito com as cartas | O editor de 1890 descreve os quatro naipes. O próprio título avisa que quem acreditar nele "liesz sich vnrecht leren" (deixa-se ensinar errado).38 |
| meados do século XVI | Uma canção num manuscrito do Palatinado, em Heidelberg | Os quatro: „herz, schellen, gras und eichel" (copas, guizos, grama e bolota)2 |
| c. 1650 | Johann Klaj, Geburtstag deß Friedens | Os quatro: „obs Eicheln oder Grün / Hertz oder Schellen sind" (se são bolotas ou verde, copas ou guizos)39 |
Nenhuma lei nomeia um naipe. Li o texto de proibições de jogo, posturas municipais e registros de comércio dos séculos XIV a XVII. Todos tratam as cartas simplesmente como "cartas" e nunca mencionam um símbolo de naipe.40
3. O que se disse que os naipes significavam, em ordem cronológica
Este é o centro da questão. Cada item traz a afirmação mais antiga que encontrei daquele significado.
1460: os naipes como vícios
Um texto latino num manuscrito de Munique, datado de 1460 pela folclorista Marianne Rumpf, põe os símbolos das cartas de diferentes nações ao lado dos vícios:
"Denarii in cartis ytalicorum significant avaritiam, baculi stultitiam vel nolae fatuitatem sicut patet in cartis Alemannorum; calices … significant ebrietatem, luxuriam; sie etiam aichel in cartis theotunicorum." (Os dinheiros [ouros] nas cartas dos italianos significam avareza; os bastões [paus], estupidez, ouos guizos, tolice, como se vê nas cartas dos alemães; os cálices [copas] significam embriaguez e luxúria, e assim tambémas bolotasnas cartas dos alemães.)1
Este é o significado mais antigo que encontrei para qualquer naipe alemão. É um significado moral (guizos = tolice; bolotas = embriaguez e luxúria), não social. A transcrição é de Rumpf e é provisória. Ela ainda não foi conferida no manuscrito.
Meados do século XVI: os guizos como sinal do tolo
A canção de Heidelberg faz a mesma ligação, de passagem:
„Wie wol sie doch in henden hätt / herz, schellen, gras und eichel, / gar baldt sie schellen auß wärfen thett / als mir zum narren zeichen." (Embora ela tivesse nas mãos copas, guizos, grama e bolotas, logo jogou fora os guizos, como sinal de tolo para mim.)2
c. 1654 e antes de 1699: brincadeiras de poetas
Os poetas do século XVII brincavam com o sentido comum dos nomes dos naipes. São jogos de palavras, não sistemas de significado.
- Friedrich von Logau (c. 1654): „Wer sein Hertz erfreut mit Schellen, wil nur stets im Sause leben, / Hat zu letzte seinem Magen Kraut und Eicheln kaum zu geben." (Quem alegra o coração com guizos e só quer viver na farra, no fim mal terá repolho e bolotas para dar ao estômago.)41
- Hans Aßmann von Abschatz (antes de 1699): a Morte, disfarçada de carta de trunfo, segura as bolotas. „meiner Eicheln Brett" (a tábua das minhas bolotas, isto é, de carvalho) leva o perdedor para a cama, que aqui é o caixão.42
- Grimmelshausen (1668): um homem bem vestido fica sentado "zu protzen wie der Herzkönig" (se exibindo como o rei de copas).43
- Em 1680, Lehmann relatou que "outros" notaram que as iniciais de Schellen, Aechel, Roth e Grün formam SARG, "caixão".44
1737: vícios dos jogadores, estações e elementos (Zedler)
A grande enciclopédia alemã do século XVIII, o Universal-Lexicon de Zedler, dá três leituras dos naipes alemães de uma só vez. Ela atribui as três a Georg Philipp Harsdörffer, escritor de Nuremberg do século XVII.
„Das Karten-Spiel hat eine lehrreiche Bedeutung, die Eichel deutet an, daß diejenigen säuisch sind, so dem Spiel allzuviel nachhängen; das Laub, daß die leichtsinnig, und unbesonnen sind, so um Gewinn spielen; das Hertz, daß die ein verstockt, und unverständig Hertz haben, die sich in das gewinnsüchtige Spiel verlieben; und die Schellen, daß die thöricht sind, so auf Gewinn aus dem Spiel hoffen. […] Es können auch die vier Farben, die vier Jahres-Zeiten, das Laub, den grünen Frühling, das Hertz, den warmen Sommer, die Eichel, den fruchtbaren Herbst, und die Schellen, die im kalten Winter mit einem Schellen-Geläut übliche Schlitten-Farth vorbilden: Oder die vier Elemente, wenn an dem Hertzen, als dem Ursprung der natürlichen Wärme, das Feuer, an denen Schellen die Lufft, als welche durch ihre Bewegung den Schall machet, an dem Laub, das Wasser, so guten Theils diese Farbe hat, und die Ursache alles Grünen mit ist, und an denen Eicheln die Erde, aus welcher sie wachsen, bemercket werden. Harsdörffer."
(O jogo de cartas tem um significado instrutivo. A bolota indica que são porcos aqueles que se entregam demais ao jogo; a folha, que são levianos e irrefletidos os que jogam por lucro; o coração, que têm um coração endurecido e insensato os que se apaixonam pelo jogo ganancioso; e os guizos, que são tolos os que esperam lucrar com o jogo. […] Os quatro naipes também podem representar as quatro estações: a folha, a primavera verde; o coração, o verão quente; a bolota, o outono fértil; e os guizos, o passeio de trenó com sinetas, costume do inverno frio. Ou os quatro elementos: no coração, como origem do calor natural, o fogo; nos guizos, o ar, que pelo seu movimento produz o som; na folha, a água, que em boa parte tem essa cor e é uma das causas de todo o verdejar; e nas bolotas, a terra, da qual elas crescem. Harsdörffer.)8
| Naipe | Vício do jogador | Estação | Elemento |
|---|---|---|---|
| Eichel (bolota) | porco | outono | terra |
| Laub (folha) | leviano | primavera | água |
| Herz (coração) | coração endurecido | verão | fogo |
| Schellen (guizos) | tolo | inverno (guizos do trenó) | ar |
Repare nas justificativas que Zedler dá. A folha é água "porque a água é em boa parte dessa cor"; os guizos são ar "porque o ar produz o som". São explicações inventadas a partir dos desenhos. Zedler não diz que elas são antigas ou tradicionais. Não localizei o texto do próprio Harsdörffer. Por isso, ainda não se sabe se essa leitura vem mesmo da década de 1640.
1755 (?): as figuras como o Império feudal (Hommel)
A enciclopédia de Pierer, de 1860, conta que o jurista Karl Ferdinand Hommel, na obra Oblectamenta juris feudalis, leu o baralho alemão como um retrato da constituição feudal do Império. O Daus era o próprio Império, o Rei era o Imperador, os Ober eram os Príncipes-Eleitores, os Unter eram os demais estados do Império, e as cartas numeradas eram o povo comum.45 É uma leitura das figuras e valores, não dos naipes. Não abri o livro de Hommel. O ano de 1755 é lembrado, não verificado.
1763: os naipes como "ordens de homens" (Stukeley)
A primeira leitura dos naipes alemães como classes sociais que encontrei, em qualquer lugar, é do antiquário inglês William Stukeley. Em 9 de novembro de 1763, ele mostrou desenhos de um baralho alemão à Society of Antiquaries de Londres. As palavras dele chegaram até nós pelo relato de Richard Gough, reimpresso por S. W. Singer em 1816:
"The suits were composed of bells, hearts, leaves, and acorns. These the Doctor conceived represented the four several orders of men among us. The bells are such as were usually tied to hawks, and denoted the Nobility, who generally rode with a hawk on their hand as a mark of their quality. … By hearts, he says, are denoted Ecclesiastics. … The leaves allude to the Gentry, who possess lands, manors, woods, parks, &c. The acorns signify the Peasants, woodmen, forresters, hunters, and farmers."
(Os naipes eram compostos de guizos, corações, folhas e bolotas. O Doutorconcebeuque eles representavam as quatro diferentes ordens de homens entre nós. Os guizos são os que costumavam ser amarrados aos falcões e indicavam a Nobreza, que em geral cavalgava com um falcão na mão como sinal da sua condição. … Pelos corações, diz ele, são indicados os Eclesiásticos. … As folhas aludem à Gentry [a pequena nobreza rural], que possui terras, solares, bosques, parques etc. As bolotas significam os Camponeses, lenhadores, guardas-florestais, caçadores e lavradores.)3
Três pontos chamam a atenção:
- "Concebeu" (conceived): Stukeley apresenta a leitura como ideia dele. Não diz que é uma tradição alemã.
- As folhas são a gentry, os proprietários de terras. Não são burgueses nem classe média.
- Daqui vem a explicação dos "guizos de falcão", que sites modernos repetem sem citar o nome dele.
1769: o que diziam as cartomantes (Peuschel)
Os significados alemães de cartomancia mais antigos que encontrei para os naipes foram impressos por C. A. Peuschel, em Leipzig, em 1769. Estão num apêndice escrito para denunciar a prática de tirar as cartas:
„Erstlich legen die Kartenkünstlerinnen den vier Farben der Karten gewisse nach ihrer Einbildung geheimnißvolle Bedeutungen bey, darauf das größte Stück ihrer Weisheit beruht. Nämlich die grüne Farbe bedeutet Betrübniß, Krankheit und Verdruß mit Geistlichen […]. Die rothe Farbe bedeutet Liebe, Mariagen und dergleichen. […] Ecker bedeutet gute Nahrung, treue Freunde, Geschenke und dergleichen. […] Schellen bedeuten falsche und betrügliche Gesinnungen und Anschläge mißgünstiger Leute."
(Em primeiro lugar, as mulheres que praticam a arte das cartas atribuem aos quatro naipes certos significados, misteriosos na imaginação delas, nos quais se apoia a maior parte da sua sabedoria. A saber: o verde significa tristeza, doença e aborrecimento com clérigos […]. O vermelho significa amor, casamentos e coisas semelhantes. […] As bolotas significam bom sustento, amigos fiéis, presentes e coisas semelhantes. […] Os guizos significam intenções falsas e enganosas e tramas de pessoas invejosas.)9
Peuschel acrescenta que outras cartomantes dão aos naipes e às cartas ainda outros significados.46
Por volta de 1780–91: um segundo livreto de Leipzig, e uma contradição
Um livreto anônimo de Leipzig, Entdektes Geheimniß die Karte zu schlagen oder zu legen ("O segredo de tirar as cartas, revelado"), dá aos naipes alemães estes significados:
„Die deutsche Karte bestehet aus vier verschiedenen Farben, und zwei und dreißig Blättern. 1.) Die Eicheln bedeuten unangenehme Vorfälle, Mißhelligkeiten, Verlust, Ehrenkränkung, viele Arbeit, Mühe und Falschheit. 2.) Roth oder Herzen, zeigt Aufrichtigkeit, Freundschaft und Liebe an. 3.) Grün — ist angenehme Hofnung, Glück in Unternehmungen: Glück bei den Damen, wenn es ein Herr ist, der sich die Karte schlagen läßt. 4.) Schellen bezieht sich auf Reichthum, Wohlstand, sorgenfreies Leben."
(O baralho alemão consiste em quatro naipes diferentes e trinta e duas cartas. 1) As bolotas significam acontecimentos desagradáveis, desavenças, perdas, ofensa à honra, muito trabalho, esforço e falsidade. 2) Vermelho, ou copas, indica sinceridade, amizade e amor. 3) Verde é esperança agradável, sorte nos empreendimentos, e sorte com as damas se for um cavalheiro que manda tirar as cartas. 4) Guizos se referem a riqueza, prosperidade, vida sem preocupações.)10
Veja os dois textos de Leipzig lado a lado:
| Naipe | Peuschel 1769 | Entdektes Geheimniß, c. 1780–91 |
|---|---|---|
| Herz / Rot (copas) | amor, casamentos | sinceridade, amizade, amor |
| Grün / Laub (folhas) | tristeza, doença, aborrecimento com clérigos | esperança agradável, sorte nos empreendimentos |
| Eicheln (bolotas) | bom sustento, amigos fiéis, presentes | acontecimentos desagradáveis, perdas, muito trabalho, falsidade |
| Schellen (guizos) | intenções falsas e enganosas de invejosos | riqueza, prosperidade, vida sem preocupações |
Eles concordam em um naipe (copas = amor) e se contradizem nos outros três. O verde vai da tristeza à esperança. As bolotas vão da boa sorte à desgraça. Os guizos vão do engano à riqueza. Nenhum dos dois cita fonte. Peuschel atribui os significados às cartomantes e à "decisão arbitrária do primeiro inventor". O livreto anônimo chama a arte de tirar as cartas de „dieses unenthüllte Geheimnis der Zigeuner" (este segredo não revelado dos ciganos). Sobre essa afirmação, veja a seção 5.
1784: os naipes como os quatro estamentos (Breitkopf)
J. G. I. Breitkopf, impressor e estudioso de Leipzig, escreveu o primeiro livro alemão sério sobre a história das cartas. Nele, lê os naipes alemães como estamentos (as ordens da sociedade). E faz isso por analogia com os naipes franceses:
„Die Farbenblätter der deutschen Nationalkarte haben eben denselben Grund der Entstehung […]. Schellen waren ehemals der Schmuck der Fürsten und Hofleute, und bezeichnen daher den adelichen Stand; Herzen, bemerken, wie bey den französischen, den geistlichen Stand; Grün, wie bey jener, den Nahrungsstand durch Ackerbau und Viehzucht; und Eicheln oder Eichenholz, den Knechtstand, der zur Arbeit gebraucht ward."
(Os naipes do baralho nacional alemão têm exatamente a mesma origem [que os franceses]. Os guizos eram antigamente o adorno dos príncipes e cortesãos, e por isso indicam o estamento nobre; os corações, como no baralho francês, o estamento clerical; o verde, como naquele, o estamento que vive da lavoura e da criação de gado; e as bolotas, ou madeira de carvalho, o estamento dos servos, que era usado para o trabalho.)4
Todo o esquema de Breitkopf vem emprestado da leitura dos naipes franceses que está na mesma página (espadas = nobreza, copas = clero, paus = lavoura, ouros = servos e arqueiros comuns). Essa leitura francesa remonta ao jesuíta Claude-François Ménestrier (1704), que escreveu só sobre os naipes franceses e espanhóis.47 O próprio Breitkopf chama algumas das leituras francesas de "eruditas demais" (zu gelehrt).48
Compare Stukeley (1763) e Breitkopf (1784):
| Naipe | Stukeley 1763 | Breitkopf 1784 |
|---|---|---|
| Guizos | Nobreza (guizos de falcão) | Estamento nobre (adorno dos príncipes) |
| Copas | Eclesiásticos | Estamento clerical |
| Folhas | Gentry, proprietários de terras | Lavradores e criadores de gado |
| Bolotas | Camponeses, lenhadores, guardas-florestais, caçadores, lavradores | Servos |
Eles concordam sobre guizos e copas e discordam sobre folhas e bolotas. Nenhum dos dois fala em "burgueses" ou "classe média".
Resumo: os significados antes de 1800
| Data | Quem | Sistema | Fonte que cita |
|---|---|---|---|
| 1460 | Texto latino, manuscrito de Munique | Vícios (guizos = tolice, bolotas = embriaguez) | nenhuma registrada |
| meados do séc. XVI | Canção de Heidelberg | Guizos como sinal do tolo | — |
| 1737 | Zedler | Vícios dos jogadores; estações; elementos | o nome "Harsdörffer" |
| 1755 (?) | Hommel (via Pierer 1860) | Figuras como o Império feudal | não se sabe |
| 1763 | Stukeley | Ordens da sociedade (gentry para as folhas) | a tapeçaria de Bayeux para os falcões; a Bíblia para os corações |
| 1769 | Peuschel | Significados de cartomancia | "as cartomantes" |
| c. 1780–91 | Entdektes Geheimniß | Significados de cartomancia (diferentes) | "os ciganos" |
| 1784 | Breitkopf | Estamentos (lavradores para as folhas) | um hino e Bucelinus 1662, só para os guizos; o resto por analogia com os naipes franceses |
| 1796–98 | Adelung | Nenhum significado: os nomes vêm das formas | — |
Nenhum desses autores cita um documento medieval que dê aos naipes um significado social.
4. Como se construiu a ideia "folhas = burgueses / classe média"
A fórmula moderna não veio da Idade Média. Ela foi montada ao longo de dois séculos, um passo de cada vez. Aqui estão todos os passos que encontrei.
| Ano | Autor | O que diz sobre o naipe de folhas | Fonte que dá |
|---|---|---|---|
| 1763 | Stukeley | Gentry, proprietários de terras | nenhuma |
| 1784 | Breitkopf | Lavradores ("Nahrungsstand durch Ackerbau") | analogia com os naipes franceses |
| 1808 | Jansen | "cultivateurs" (cultivadores)49 | a referência de Breitkopf |
| 1816 | Singer | Os lavradores, "who formed the middle class of the community" (que formavam aclasse médiada comunidade) na época anterior às grandes cidades50 | Breitkopf; ele acrescenta que a alegoria provavelmente nasceu da "fértil imaginação de algumas mentes especulativas em tempos mais recentes" |
| 1823 | Heller | Os quatro estamentos incluem "den bürgerlichen" (o burguês), sem dizer qual naipe é qual51 | "die herrschende Meinung" (a opinião predominante) |
| 1826 | Peignot | "cultivateurs"52 | Jansen |
| 1837 | Damen Conversations Lexikon | Alguns relacionam os quatro naipes aos quatro estamentos; nenhum naipe é atribuído | nenhuma |
| 1841 | Brockhaus | Nenhum significado para os naipes | — |
| 1854 | Boiteau d'Ambly | Chama o esquema dos estamentos de "l'explication vulgaire" (a explicação popular)53 | "dit-on" (diz-se) |
| 1857 | Herders Conversations-Lexikon | "bürgerlich", o estamento burguês: a primeira ocorrência que encontrei | nenhuma |
| 1860 | Pierer | "Nähr- od. Bürgerstand" (estamento dos que alimentam, ou burguês), e coloca toda a leitura no fim da Idade Média | nenhuma |
| 1930 | Hargrave (EUA) | "husbandmen or citizens" (lavradores ou cidadãos)54 | nenhuma |
| 1931 | Benham (Reino Unido) | Os símbolos alemães "probably were not intended" (provavelmente não tinham a intenção) de mostrar os estamentos | — |
| 1973 | Detlef Hoffmann | Nenhum autor provou isso; "uma questão em aberto" | — |
| 2006–07 | Páginas da internet em inglês | "leaves = the middle class" (folhas = classe média) | nenhuma |
Herder, 1857, o primeiro a dar o naipe de folhas aos burgueses:
„In Deutschland unterschied man die 4 Farben: Herz, Blätter […], Eichel […] u. Schellen, als Embleme des geistlichen, bürgerlichen, des knechtischen u. adeligen Standes." (Na Alemanha distinguiam-se os 4 naipes, copas, folhas, bolotas e guizos, como emblemas dos estamentos clerical, burguês, servil e nobre.)7
Pierer, 1860, o ponto em que "a Idade Média" entra na história:
„Die allegorisirende Richtung, welche in der letzten Zeit des Mittelalters vorherrschte, erblickte in den vier Farben des Kartenspiels die Embleme der Geistlichkeit (Herz), des Nähr- od. Bürgerstandes (Grün, Klee, Münzen), der Knechte (Eicheln, Bolzen, weil die Bogenschützen aus den Knechten genommen wurden; Stöcke) u. des Adels (Schellen, Lanze, Degen)."
(O gosto alegórico que predominava no último período da Idade Média via nos quatro naipes do jogo de cartas os emblemas do clero (copas), do estamento dos que alimentam ou burguês (verde, paus, moedas), dos servos (bolotas, setas — porque os arqueiros eram tirados dos servos —, bastões) e da nobreza (guizos, lança, espada).)5
Pierer não dá fonte para "a Idade Média". A observação dele sobre os arqueiros vem da leitura que Breitkopf fez dos ouros franceses. Breitkopf explicou os ouros como pontas de flecha, "das quais se tirava o soldado comum ou arqueiro".55
O veredicto dos especialistas. Detlef Hoffmann, do Museu Alemão das Cartas de Jogar, escreveu em 1973 sobre o problema da teoria dos estamentos: nenhum de seus autores conseguiu provar que essa divisão já era simbolizada assim na época em que as cartas surgiram. Para ele, isso "remains an open question" (continua sendo uma questão em aberto).6 W. Gurney Benham já havia escrito em 1931 que os emblemas alemães "probably were not intended" (provavelmente não tinham a intenção) de mostrar os quatro estamentos.56 A Wicked Pack of Cards (1996), a história acadêmica de referência sobre o uso ocultista das cartas, não dá nenhuma leitura de estamentos para os naipes alemães.57
5. A história dos "ciganos"
Este ponto importa para quem estuda o Baralho Cigano. Por isso, deixo aqui o registro tal como o encontrei.
O que as fontes alemãs disseram.
- Entdektes Geheimniß (Leipzig, c. 1780–91) chama a arte de tirar as cartas de "o segredo não revelado dos ciganos".10
- Brockhaus 1809 diz que as cartas foram dadas a conhecer, "se não inventadas", principalmente pelos ciganos, e que Naibi quer dizer profecia.58
- O Damen Conversations Lexikon (1837) diz que a cartomancia foi "provavelmente" praticada primeiro por ciganos no Oriente.59
- Brockhaus 1841 diz que as cartas foram "presumivelmente" trazidas para a Europa pelos ciganos, que as usavam para ler a sorte.60
- Pierer 1860 diz que foram os ciganos que mais usaram a cartomancia.61
- Nenhuma delas cita fonte.
O que os especialistas encontraram. Decker, Depaulis e Dummett (1996) rastrearam a ideia até um comentário de passagem de Antoine Court de Gébelin, em 1781. Breitkopf a refutou em 1784: as cartas já eram conhecidas na Europa antes da chegada dos ciganos. Eles chegaram à Europa ocidental em 1417, e as cartas eram conhecidas na Catalunha por volta de 1370. O primeiro escritor a defender a teoria abertamente foi Boiteau d'Ambly, em 1854. Os três autores concluem que praticamente não há evidência de ciganos lendo a sorte com cartas de qualquer tipo antes do século XX. O método habitual deles era a quiromancia, a leitura das mãos.13 Uma coletânea de folclore de Oldemburgo, de 1867, concorda: as benzedeiras locais usavam cartas e borra de café, mas aos ciganos se atribuía a leitura "das estrelas e da mão".62
O que se pode dizer: a ligação entre ciganos e leitura de cartas é uma afirmação impressa pela primeira vez em 1781 e espalhada depois de 1854. Não é um fato registrado entre os séculos XV e XVIII.
6. A cartomancia nas terras alemãs antes de 1800
Para entender o baralho Lenormand, você precisa saber como era a leitura da sorte com cartas e com xícaras de café na época em que ele foi feito.
- 1763. Um ensaio em Das Carneval gelehrter Phantasien descreve uma moda de "leitura da sorte entre as mulheres holandesas e alemãs, de alta e baixa condição", primeiro na xícara de café e depois com cartas. A cartomante dispõe 36 cartas em quatro montes de nove, com naipes franceses. Um exemplo de leitura: "Sehet das Aß: Ihr werdet bald einen Brief erhalten" (Vede o ás: logo recebereis uma carta); o rei de paus é um namorado fiel, e o valete de ouros, um rival.63
- 1765. Na Rússia, Zaïre, a companheira de Casanova, dispôs "um quadrado de vinte e cinco cartas". A Wicked Pack of Cards considera esse o primeiro relato de alguém usando uma tiragem de cartas de baralho para ler a sorte.64
- 1769. Peuschel imprime os significados dos naipes vistos acima. Ele também imprime uma lista de figuras da borra de café, que inclui: âncora = esperança ("Ein Anker bedeutet Hoffnung"), navio = riqueza, chave, caixão = luto, peixes = maledicência, raposa = astúcia, cobras = inimigos invejosos, jardim, buquê = amor constante, torre = vida longa, cruz = aborrecimento ou morte, criança, cegonha, pássaros = bons amigos, cães = bons mensageiros, árvores = amigos bem-intencionados, trevo = sorte, coração.23 18 das 36 figuras do Jogo da Esperança (ver seção 7) já estão nessa lista de borra de café de 1769. Essa coincidência é uma contagem. Nenhuma fonte diz que o criador do Jogo da Esperança usou a lista.
- 1770. Em Paris, Etteilla publica o primeiro método conhecido de leitura das cartas comuns: 32 cartas de piquet mais uma, cada uma com significado normal e invertido.65
- Por volta de 1770–71, lembrado em 1812. Goethe recorda uma "Kartenschlägerin" (cartomante) na Alsácia que prometia cartas e dinheiro.66
- 1793. O British Museum guarda um baralho de cartomancia de 32 cartas com naipes alemães. Cada carta tem uma palavra ou frase em alemão. Essas palavras ainda não foram transcritas.67
- 1796. É impresso em Londres Les Amusemens des Allemands, or the Diversions of the Court of Vienna ("Os divertimentos dos alemães, ou as diversões da corte de Viena"): 32 cartas emblemáticas para a leitura da borra de café e das cartas. Ainda não se sabe quais são as figuras.68
- 1799. O editor de Nuremberg Bieling anuncia dois livros de J. K. Gütle sobre tirar as cartas e ler a xícara de café, e "Zwei Wahrsagerspiele" (dois jogos de adivinhação), "em francês e alemão". Não encontrei nenhum deles.69
7. Das Spiel der Hofnung: o ancestral do baralho Lenormand
Quando e por quem
- 12 de julho de 1797. Um suplemento de jornal de Nuremberg anuncia, na loja do encadernador Michael Emmerling: „Das Spiel der Hoffnung, eine angenehme Gesellschaftsunterhaltung mit 36 illum. Karten, 30 kr." (O Jogo da Esperança, um agradável entretenimento social com 36 cartas coloridas, 30 kreuzer.) É o registro mais antigo encontrado. Não nomeia autor nem editor.70
- 1799. O editor Gustav Philipp Jakob Bieling, de Nuremberg, imprime uma lista de vendas nas capas de um periódico datado de 1799. O jogo é o quarto item sob „Hechtels, J. K.": „das Spiel der Hoffnung, eine angenehme Gesellschaftsunterhaltung, mit 36 illumirten Figurenkarten, gebunden 30 kr." (o Jogo da Esperança, um agradável entretenimento social, com 36 cartas de figuras coloridas, encadernado, 30 kr.) A descrição e o preço são os mesmos de 1797.71
- Johann Kaspar Hechtel (nascido em 1º de maio de 1771, morto em dezembro de 1799) era dono de uma fábrica de latão em Nuremberg e escrevia jogos de salão e versos de amizade. O dicionário biográfico de Nuremberg de 1805 não inclui o jogo entre as obras dele, até onde mostra o texto digitalizado.72
- 1813 e 1820. O jogo é anunciado de novo: "mit einer neuen Figurenkarte" (com um novo baralho de figuras) em 1813, e "franz. und deutsch, neue Auflage" (francês e alemão, nova edição) em 1820.73
Portanto, "Hechtel, 1799" é a data de uma lista de vendas, não da primeira edição. O jogo já estava à venda em 1797. A Wicked Pack of Cards data o jogo "por volta de 1800", cita Bieling como editor e não menciona Hechtel.18
Os três exemplares que sobreviveram
| Exemplar | Data dada pela instituição | O que é |
|---|---|---|
| British Museum 1896,0501.495 | "1800–1850 (por volta de)" | Completo: 36 cartas, estojo e folheto de quatro páginas ("Zweite verbesserte Auflage", segunda edição melhorada) |
| British Museum 1896,0501.378 | "1800–1850 (por volta de)" | 35 das 36 cartas, sem folheto |
| Museum De Lakenhal, Leiden, 3133 | "segunda metade do século XVIII" | Cartas, invólucro, estojo, regras em alemão e francês |

Nenhum ano e nenhum nome de autor estão impressos em nenhum deles. As duas etiquetas dos estojos dizem "Neue Auflage" (nova edição), portanto os exemplares que sobreviveram não são a primeira edição.74
O que há em cada carta
Cada carta tem uma figura colorida. No alto há uma faixa com:
- à esquerda, uma miniatura de carta de naipe alemão;
- no centro, o número;
- à direita, uma miniatura de carta de naipe francês.
Não há legenda, título nem verso em nenhuma carta. Em todas as cartas, copas fica ao lado de copas, guizos ao lado de ouros, folhas ao lado de espadas e bolotas ao lado de paus. O Daus alemão fica ao lado do ás francês, o Ober ao lado da dama e o Unter ao lado do valete.75
As 36 cartas
Li as figuras e as miniaturas na imagem do exemplar completo do British Museum (1896,0501.495). A terceira coluna traz as palavras do próprio folheto; um travessão indica que o folheto não dá nome àquela figura. A regra do jogo vem do mesmo folheto. A última coluna não está nas cartas: dá o nome usual hoje no Baralho Cigano, só para orientar a leitura.
| Nº | Figura (como desenhada) | Nome no folheto (alemão) | Miniatura alemã (esquerda) | Miniatura francesa (direita) | Regra do jogo no folheto | Nome usual hoje no Baralho Cigano |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Cavaleiro num cavalo empinado | — | Herz 9 | 9 ♥ | — | Cavaleiro |
| 2 | Folha de trevo de três lóbulos | — | Schellen 6 | 6 ♦ | — | Trevo |
| 3 | Navio de três mastros | Schiff (navio) | Laub 10 | 10 ♠ | levado até o nº 12 | Navio |
| 4 | Casa de telhado vermelho | Haus (casa) | Herz König | K ♥ | paga 2 | Casa |
| 5 | Três árvores num monte | Wald (bosque) | Herz 7 | 7 ♥ | — | Árvore |
| 6 | Nuvem escura | Gewitterwolke (nuvem de tempestade) | Eichel König | K ♣ | volta ao nº 2 | Nuvens |
| 7 | Cobra enrolada num toco | Schlange (cobra) | Eichel Ober | Q ♣ | paga 3 | Cobra / Serpente |
| 8 | Caixão | Sarg (caixão) | Schellen 9 | 9 ♦ | espera ("dado como morto") | Caixão |
| 9 | Ramo de flores | — | Laub Ober | Q ♠ | — | Buquê / Flores |
| 10 | Foice sobre um feixe, ampulheta | — | Schellen Unter | J ♦ | — | Foice |
| 11 | Feixe de varas | Ruthe (vara) | Eichel Unter | J ♣ | paga 2, avança ao nº 13 | Chicote |
| 12 | Pássaro num galho | as Ilhas Canárias, "onde moram os belos pássaros" | Schellen 7 | 7 ♦ | — | Pássaros |
| 13 | Criança estendendo as mãos para um inseto | Knabe (menino) | Laub Unter | J ♠ | — | Criança |
| 14 | Raposa e galo | Fuchs (raposa) | Eichel 9 | 9 ♣ | volta ao nº 5 | Raposa |
| 15 | Urso | — | Eichel 10 | 10 ♣ | — | Urso |
| 16 | Estrela de oito pontas | Stern (estrela) | Herz 6 | 6 ♥ | recebe 6 | Estrela(s) |
| 17 | Ave pernalta entre juncos | — | Herz Ober | Q ♥ | — | Cegonha |
| 18 | Cão correndo | — | Herz 10 | 10 ♥ | — | Cachorro |
| 19 | Torre | Thurm (torre) | Laub 6 | 6 ♠ | paga 2 | Torre |
| 20 | Jardim murado com fonte | Garten (jardim) | Laub 8 | 8 ♠ | — | Jardim |
| 21 | Picos rochosos | Gebirge (montanhas) | Eichel 8 | 8 ♣ | espera | Montanha |
| 22 | Estrada no campo | Weg (caminho) | Schellen Ober | Q ♦ | volta ao nº 20 | Caminhos |
| 23 | Roedor sobre um baú | — | Eichel 7 | 7 ♣ | — | Ratos |
| 24 | Coração vermelho | Herz (coração) | Herz Unter | J ♥ | mulher vai ao 28, homem ao 29 | Coração |
| 25 | Anel com pedra vermelha | Ring (anel) | Eichel Daus | A ♣ | recebe 3 | Anel / Aliança |
| 26 | Livro fechado | Zauberbuch (livro de magia) | Schellen 10 | 10 ♦ | volta ao nº 20 | Livro |
| 27 | Carta lacrada | Brief (carta) | Laub 7 | 7 ♠ | paga 1 | Carta |
| 28 | Homem de casaco verde | Jüngling (rapaz) | Herz Daus | A ♥ | avança ao nº 31 | Cigano / Homem |
| 29 | Mulher de vestido carmim | Mädchen (moça) | Laub Daus | A ♠ | avança ao nº 32 | Cigana / Mulher |
| 30 | Três lírios | — | Laub König | K ♠ | — | Lírios |
| 31 | Sol | Sonne der Hofnung (sol da esperança) | Schellen Daus | A ♦ | — | Sol |
| 32 | Lua crescente | — | Herz 8 | 8 ♥ | — | Lua |
| 33 | Chave | Schlüssel (chave) | Schellen 8 | 8 ♦ | recebe 2 | Chave |
| 34 | Dois peixes | Fische (peixes) | Schellen König | K ♦ | paga 2 | Peixes |
| 35 | Âncora | Anker der Hofnung (âncora da esperança) | Laub 9 | 9 ♠ | vence o jogo | Âncora |
| 36 | Cruz | Figur des Kreuzes (figura da cruz) | Eichel 6 | 6 ♣ | espera | Cruz |
Notas. "König, Ober, Unter" é uma leitura da posição do símbolo do naipe em cada pequena figura; essas palavras não estão impressas na carta. A contagem de símbolos do nº 35 (Laub 9) fica em parte fora da fotografia. As miniaturas francesas desta tabela são as mesmas que aparecem nos baralhos Lenormand/Ciganos padrão: um baralho do século XIX do British Museum (1896,0501.413) repete o número, a figura e a carta francesa do Jogo da Esperança em todas as 36 cartas.76
O que o folheto diz: o jogo
Os jogadores põem de 6 a 8 fichas num pote. As 36 cartas são dispostas num quadrado de 6 × 6, em ordem numérica, e os jogadores avançam por elas com dois dados. Cada casa é "favorável, desfavorável ou indiferente". O primeiro a cair exatamente no nº 35, a âncora, "esta imagem da Esperança", leva o pote inteiro.17
O que o folheto diz: por que as duas cartinhas estão ali
Esta é a frase mais importante para quem lê significado nas miniaturas. A página 4 do folheto diz:
„Um auch alle nur erdenklichen Kartenspiele, so mit den gewöhnlichen deutschen und französischen Karten gespielt werden, mit diesen 36 Figurenblättern zu fernerer Unterhaltung spielen zu können, sind oben die deutschen und französischen Bilder angebracht worden; man darf nur, nachdem das Spiel ist, die Sechser, und auch manchmal die Siebner, weglassen. Auch kann man dadurch die Vergleichung der deutschen gegen die französische Karte auf eine leichte Art erlernen."
(Para que também todos os jogos de cartas imagináveis que se jogam com as cartas alemãs e francesas comuns possam ser jogados com estas 36 cartas de figuras, para maior divertimento, as imagens alemãs e francesas foram colocadas no alto; basta, conforme o jogo, deixar de fora os seis e às vezes também os sete. Dessa forma também se pode aprender com facilidade a comparação entre o baralho alemão e o francês.)17
O editor dá dois motivos: jogar os jogos de cartas comuns e aprender a correspondência entre os dois baralhos. Não diz nada sobre significado.
O que o folheto diz: o jogo de adivinhação
A mesma página continua:
„Mit der nämlichen Karte kan man auch ein unterhaltendes Wahrsagerspiel vornehmen, wenn man die 36 Blätter mischt, und von der Person, der man wahrsagen will, abheben läßt, solche sodann in 5 Reihen, viere zu 8 Blättern und die lezte zu 4 Blätter vertheilt, und wenn die fragende Person ein Frauenzimmer ist, vom Blatt No. 29 an, nach den nahe herumliegenden Bildern seine Erzählung scherzhaft anfängt, wozu ihn die auf den Blättern abgebildeten Figuren hinlänglichen Stoff geben werden. Ist die fragende Person eine Mannsperson, so fängt man die Erzählung vom Blatt No. 28 an, und nimmt die gleichfalls nebenliegenden Blätter zu Hülfe […]."
(Com o mesmo baralho também se pode fazer um divertido jogo de adivinhação. Embaralham-se as 36 cartas, a pessoa cuja sorte se quer ler corta o baralho, e as cartas são distribuídas em 5 fileiras, quatro de 8 cartas e a última de 4. Se a pessoa que pergunta é uma mulher, começa-se a história,de brincadeira, a partir da carta nº 29, seguindo asfigurasque estão perto dela, para o que as figuras desenhadas nas cartas darão material suficiente. Se a pessoa que pergunta é um homem, começa-se a história pela carta nº 28 e usam-se igualmente as cartas vizinhas […].)17
Repare no que já está aqui. Todas as 36 cartas são dispostas na mesa. A carta nº 29 representa a mulher que pergunta, e a carta nº 28, o homem. A história é tirada das figuras que estão perto dessa carta. O jogo é oferecido como uma brincadeira para uma roda alegre, e a leitura é feita a partir das figuras, não das cartas de baralho do canto.
Um conflito a registrar: A Wicked Pack of Cards (p. 141) descreve esse jogo como usando "apenas 32 cartas dispostas em oito fileiras de quatro". O folheto do British Museum, lido nas imagens das próprias páginas, distribui as 36 cartas em cinco fileiras. O livro pode estar descrevendo outra edição, ou pode ser um engano. Essa diferença continua sem solução.18
As figuras combinam com o que a carta do canto "significava"?
Comparei cada figura do Jogo da Esperança com o significado que os textos de cartomancia da época davam à carta de baralho impressa nela (Peuschel 1769, Entdektes Geheimniß c. 1780–91, e Avé-Lallemant 1858). O teste era simples: a figura mostra aquilo que o texto dá como significado daquela carta? Por exemplo, uma carta (de correio) desenhada numa carta lida como "uma carta".
- Resultado: 0 coincidências em 36. Por exemplo, as cartas que Peuschel lê como "carta (de correio)" são o Daus e o dez de guizos; no Jogo da Esperança elas estão no Sol (31) e no Livro (26). A Carta do Jogo da Esperança (27) traz o 7 de folhas.
- Uma única linha tem relação no nível do naipe: a âncora da esperança (35) traz uma carta de folhas, e o livreto de Leipzig explica o naipe verde como "esperança agradável". As outras oito cartas de folhas não têm relação com esperança.19
Um padrão que dá para contar, embora nenhuma fonte o explique
Contei no exemplar do British Museum e no seu folheto, pondo a regra de cada casa ao lado da sua miniatura alemã. O resultado:
- As quatro casas que mandam o jogador direto para a frente (3, 24, 28, 29) trazem todas copas ou folhas.
- As quatro casas que mandam o jogador para trás (6, 14, 22, 26) e as três que fazem o jogador esperar (8, 21, 36) trazem todas guizos ou bolotas.
- As casas em que se pagam ou recebem fichas misturam os quatro naipes.
- Nenhum valor de carta tem o mesmo tipo de regra nas suas quatro casas, e a ordem das miniaturas ao longo do tabuleiro não segue um baralho ordenado.77
Isso é uma contagem, não uma explicação. Nenhum texto da época diz que o criador deu aos naipes um caráter "bom" ou "ruim". Leia isso como uma questão em aberto.
8. Do Jogo da Esperança ao "Lenormand"
Quem foi Mlle Lenormand, e o que ela usava
Marie-Anne Le Normand (nascida em Alençon em 1772, morta em Paris em 1843) foi a cartomante mais famosa da Paris de Napoleão. As enciclopédias alemãs do século XIX a chamam de "Kartenschlägerin" (cartomante), e o Damen Conversations Lexikon de 1836 diz que ela consultava "suas cartas, sua borra de café e a clara de ovo". Nenhum dos verbetes sobre ela nas enciclopédias alemãs, de 1836 a 1911, menciona um baralho com o nome dela ou algum significado dos naipes.78
Os autores de A Wicked Pack of Cards leram os livros dela e relatam que:
- no livro de 1817, ela usa sempre, de forma clara, um baralho de piquet de 32 cartas, distribuídas em oito montes, e "não se dá ao trabalho" de explicar os significados;79
- um barão alemão, Malchus, que a consultou entre 1810 e 1814, listou entre as cartas dela cartas de tarô, cartas de whist e „alte deutsche Karten" (cartas alemãs antigas). Esse relato é de segunda mão: as memórias de Malchus só foram impressas em 1895, e os autores acrescentam a ressalva "se essas memórias não forem falsificadas". É o único relato encontrado de cartas de naipes alemães nas mãos dela, e ele não lhes dá significado.80
A conclusão deles: "She did not design or even inspire any pack of fortune-telling cards" (ela não criou nem sequer inspirou nenhum baralho de cartomancia).15
O nome vai para os baralhos, a partir de 1845
| Data | O quê | Fonte |
|---|---|---|
| 1843 | Le Normand morre em Paris | enciclopédias |
| 1845 | Paris: o Grand Jeu de Mlle Lenormand, 54 cartas com cinco livretos, dois anos depois da morte dela | Wicked Pack, pp. 139–14081 |
| 1845, quarto trimestre | Coblença (Koblenz): „Die Wahrsagerin Mlle. Lenormand" (A cartomante Mlle. Lenormand) … 36 cartas coloridas, 24 páginas de texto, um retrato, "herausgeg. von deren Erben Chator" (publicado pelos herdeiros dela, Chator). É o conjunto de 36 cartas com o nome dela mais antigo encontrado. Não diz o que havia nas cartas. | Lista de livros de Thun14 |
| 13 fev. 1846 | Passau: primeiro anúncio em jornal (Courrier an der Donau, nº 46). Editor August Reiff, de Coblença; cartas "publicadas pelo herdeiro de Lenormand, Sr. Chator" | Baralho Cigano: O Guia Definitivo, p. 111 |
| 1846 | Coblença: o mesmo conjunto, já na 4ª edição | Thun; Allgemeine Zeitung82 |
| fim de 1846 | Leipzig: "Wahrsagekarten der berühmten Mlle. Lenormand" (cartas de adivinhação da famosa Mlle. Lenormand), 54 cartas | Leipziger Zeitung83 |
| 1847 | Coblença, Reiff: livreto Vollständige Wahrsagekunst der Mlle. Le Normand, "Zweite Auflage. Nebst 54 Karten" (segunda edição, com 54 cartas), com a data de 1847 na folha de rosto; carta-título "Wahrsage-Karten der berühmten Mlle LE NORMAND". Um baralho do tipo Grand Jeu; o baralho de Reiff estava à venda em 1847, no mais tardar | livreto e cartas, fotografias84 |
| c. 1850 | Reiff: "Wahrsage-Karten der berühmten Mlle Le Normand", 55 cartas, uma cópia do Grand Jeu | Wicked Pack, p. 14185 |
| c. 1850 | Os primeiros baralhos chamados "Petit Lenormand", segundo Hoffmann e Kroppenstedt (1972), citados no Wicked Pack | Wicked Pack, p. 141 e n. 8118 |
| 1855 | Uma revista relata anúncios de jornal de 36 cartas a 10 Silbergroschen, com o retrato dela em xilogravura e a promessa: „Mit diesen Karten verkündete Demoiselle Lenormand einst Napoleon seine Größe" (com estas cartas a Demoiselle Lenormand anunciou outrora a Napoleão a sua grandeza) | Der Erzähler, 185586 |
| 1856 | Berlim: "Miss Endor, 36 lith. Wahrsagekarten" (36 cartas de adivinhação litografadas) | Pataky 189887 |
| 1879 | O Chanceler do Império decide que as "chamadas cartas de adivinhação Lenormand" sem ás de copas mas com ás de espadas devem ser seladas (tributadas) no ás de espadas, isto é, tributadas como cartas de jogar por causa das miniaturas francesas | Circular prussiana de 22 de julho de 187921 |
Toda afirmação de que essas eram "as cartas dela" vem dos vendedores: "publicado pelos herdeiros dela" (1845), "com estas cartas" ela previu Napoleão (1855), "as autênticas cartas" (um estojo sem data da Ensslin & Laiblin), "compiladas dos papéis dela por Ch. Didot" (por volta de 1890). Nenhuma delas oferece prova.88 Detlef Hoffmann resumiu em 1973: um sistema recebeu o nome dela, assim como os baralhos de adivinhação em geral recebiam nomes de videntes famosos, e não fazia diferença se essas pessoas tinham ou não alguma coisa a ver com cartas.16
A ligação com o Jogo da Esperança
- Os estudiosos de 1996: Detlef Hoffmann demonstrou que o protótipo desses baralhos remonta claramente ao Jogo da Esperança.18
- Visto nas cartas: cinco baralhos de museu com o nome Lenormand, ou catalogados como Lenormand, repetem as figuras do Jogo da Esperança com a mesma carta francesa em todas as cartas que puderam ser lidas. Um baralho do British Museum (1896,0501.413) faz isso nas 36 cartas.76
- Não encontrado: nenhum documento da época que ligue os dois. Os textos do Jogo da Esperança nunca citam Lenormand, e os textos de Lenormand nunca citam Nuremberg, Bieling, Hechtel ou o Jogo da Esperança.89
A miniatura alemã desaparece
Todos os baralhos com o nome Lenormand que vi em imagem têm apenas a miniatura francesa. A carta alemã sumiu. Não se sabe quando ela desapareceu, nem por quê. Não encontrei nenhum baralho datado entre os exemplares sem data do Jogo da Esperança e os primeiros baralhos só com a carta francesa, e nenhum fabricante explica a mudança.90
E os baralhos de Munique de 1813? O British Museum guarda dois baralhos de Munique datados de 1813 e catalogados como cartas de adivinhação "de Mlle Lenormand". As cartas de um deles (1896,0501.463: 34 das 36 cartas, gravuras coloridas à mão) foram vistas, e não são o sistema do Jogo da Esperança. O próprio museu as descreve como "without suits" (sem naipes). Não há número nem cartinha de baralho; cada carta tem uma cena com um título em alemão embaixo, como „König" (Rei), „Das Haus" (A Casa), „Der Richter" (O Juiz), „Großes Glück" (Grande sorte), „Eine Krankheit" (Uma doença), „Neuigkeiten" (Novidades), „Visiten" (Visitas), „Verdruß" (Aborrecimento) e „Die Treue" (A fidelidade), esta com a figura de um cão. Há até uma carta chamada „Hofnung" (Esperança), mas com uma cena própria, e não com a âncora. É, portanto, outro tipo de baralho de adivinhação. Não foi visto se o nome "Lenormand" aparece no próprio baralho ou se é um título dado pelo catálogo. Por isso, este baralho não antecipa para 1813 o uso do nome dela no baralho de 36 figuras.91
O que mostram 34 baralhos posteriores
Também examinei uma coleção de imagens de 35 baralhos do tipo Lenormand: o próprio Jogo da Esperança e 34 baralhos posteriores, até um baralho Piatnik do século XX, reunidas a partir de sites de museus, leilões e páginas de colecionadores. Olhei cada imagem, uma a uma. As datas que aparecem nos nomes das pastas vêm das páginas onde as imagens foram encontradas, por isso não as uso aqui. As datas abaixo são as que estão impressas nos próprios objetos ou as que um catálogo de biblioteca informa. Algumas imagens são reproduções modernas restauradas. Nesses casos, relato só a disposição da carta.24
- Coblença, "Erben Chator". Um baralho foi fotografado com o seu livreto rasgado. O livreto diz: „Erklärung des Kartenspiels der berühmten Wahrsagerinn Mlle. Lenormand in Paris. Herausgegeben von deren Erben Chator. [número rasgado] Auflage. Coblenz, Verlag von J. B. Rüb[…], Hof-Buch- und Kunsthändler." (Explicação do jogo de cartas da famosa cartomante Mlle Lenormand, em Paris. Publicado pelos herdeiros dela, Chator. [...] edição. Coblença, editora J. B. Rüb[…], livreiro e marchand da corte.) São as mesmas palavras do conjunto de Coblença registrado na lista de livros do fim de 1845. Mas a edição e o ano deste exemplar não podem ser lidos. Das 36 cartas, 30 aparecem de frente nas fotos. Cada uma traz o número, a figura do Jogo da Esperança e apenas uma carta de baralho francês; não há carta alemã. As cartas numéricas francesas coincidem com as do Jogo da Esperança em todas as que consegui contar, menos uma (a nº 5 mostra seis copas, onde a carta do Jogo da Esperança tem sete). As figuras são pequenos reis, damas e valetes sem nenhum símbolo de naipe. Nas cartas 29 e 31, onde o Jogo da Esperança tem os ases de espadas e de ouros, o quadro traz uma pequena figura: um homem com uma pá e um homem segurando uma carta.20
- Coblença, Reiff, 1847. Um segundo editor de Coblença, J. F. Aug. Reiff, vendia as "Wahrsage-Karten der berühmten Mlle LE NORMAND" (cartas de adivinhação da famosa Mlle Le Normand) com um livreto cuja folha de rosto diz: „Vollständige Wahrsagekunst der Mlle. Le Normand. Herausgegeben und bearbeitet von der Gräfin von B. Zweite Auflage. Nebst 54 Karten in Thondruck. Coblenz. J. F. Aug. Reiff. 1847."(A arte completa de adivinhação de Mlle Le Normand, publicada e organizada pela Condessa de B. Segunda edição, com 54 cartas. Coblença, 1847.) As cartas são do tipo grande, o Grand Jeu, com uma carta francesa no alto à esquerda e uma letra no alto à direita. Uma segunda edição datada de 1847 significa que o baralho de Reiff já estava à venda em 1847, no mais tardar.84
- Nova York. Uma caixa diz „L'Oracle de Bonaparte ou cartes de Mlle Lenormand. Pour dire la bonne aventure. Publiées par C. Magnus, New York." (O Oráculo de Bonaparte, ou cartas de Mlle Lenormand, para ler a sorte. Publicadas por C. Magnus, Nova York.) As seis cartas fotografadas têm a figura e a carta francesa do Jogo da Esperança. Não há data impressa na caixa.92
- Holanda. Uma folha de instruções holandesa, „Handleiding voor het gebruik van de Waarzegkaarten der wereldberoemde Mad. LENORMAND" (Manual para o uso das cartas de adivinhação da mundialmente famosa Mad. Lenormand), distribui as cartas exatamente como o folheto do Jogo da Esperança: „verdeelt men ze in 5 partijen, namelijk: 4 ieder van 8 kaarten en 1 uit 4 kaarten bestaande" (divide-se em 5 partes, a saber: quatro de 8 cartas cada e uma de 4 cartas), com a carta nº 29 para a mulher e a nº 28 para o homem. A folha termina com o nome dela e „PARIJS Ao 1868" (Paris, ano de 1868), vinte e cinco anos depois da sua morte. As cartas desse baralho não trazem nenhuma carta de baralho.22
- Alemanha, depois de 1879. Um baralho das Vereinigte Stralsunder Spielkartenfabriken tem, na carta nº 28, dentro do quadro do ás de copas, um selo redondo „DEUTSCHES REICH … DREISSIG PF." (Império Alemão … trinta pfennig). É o imposto de 30 pfennig que a lei imperial do selo das cartas, de 3 de julho de 1878, cobrava a partir de 1º de janeiro de 1879 de todo baralho com 36 cartas ou menos. O fisco tratava este baralho como cartas de jogar.93
- Bélgica e Paris. A Bibliothèque nationale de France guarda um baralho de Geûens-Seaux, de Bruges, datado de 1895–1901, com a carta francesa, o nome da figura e uma explicação impressa em cada carta,94 e um Grand jeu de société de Melle Lenormand de Paris (Bertauts, 1850–1880, 54 cartas), com uma carta francesa no canto.95
- Um outro "Lenormand alemão". Um baralho, identificado na coleção como "Mlle. Lenormand's untrügliche Wahrsagekarten, Berlin" (as infalíveis cartas de adivinhação de Mlle Lenormand, Berlim), é um sistema diferente de 36 cartas: duas figuras em cada carta, uma moldura de signos do zodíaco e dos planetas, e nenhuma carta de baralho. Entre as figuras estão uvas, uma lebre, um gato, um galo, um caranguejo, uma coruja, máscaras, um cisne, uma árvore de Natal, um leque, um canhão e cartas de jogar. O fabricante e a data não foram identificados.96
O que isso acrescenta sobre a carta alemã. Em nenhum desses 34 baralhos há uma carta de naipe alemão. O baralho de 36 cartas com o nome Lenormand mais antigo que se pode datar entre eles, o conjunto de Coblença "Erben Chator", já tem só a carta francesa. Pelo que se sabe hoje, portanto, a carta alemã já tinha sumido quando o nome Lenormand foi colocado no baralho, e talvez antes. Não vi nenhum baralho feito entre os exemplares do Jogo da Esperança e 1845.
Os folhetos do século XIX davam significado às miniaturas?
Nenhum folheto lido dá. Os três textos de instrução de baralhos Lenormand do século XIX que li (um cartão francês, c. 1850–1900; Ensslin & Laiblin, c. 1875–1899; Didot, c. 1890) dão significados às figuras numeradas e à distância delas em relação à carta do consulente. Nenhum menciona a miniatura ou o naipe.97 O catálogo do British Museum de 1901 diz apenas que a carta em miniatura mostra "o valor".98 Em alguns baralhos tardios, a carta de baralho é trocada por um sinal abstrato ou simplesmente some. Um catálogo de Yale diz de um desses baralhos: "No suit system" (nenhum sistema de naipes).99
9. O que se pode dizer, e o que não se pode
Demonstrado por fontes da própria época
- Desde 1460, os naipes alemães aparecem nomeados como símbolos das cartas alemãs (guizos, bolotas). Os quatro aparecem nomeados juntos em meados do século XVI.
- Em 1460, num texto latino moralizante, guizos significavam tolice e bolotas embriaguez e luxúria.
- Em 1737, Zedler imprimiu três leituras de uma só vez (vícios dos jogadores, estações, elementos) e atribuiu as três a Harsdörffer.
- Em 1763, Stukeley, e em 1784, Breitkopf, leram os naipes como ordens sociais. Os dois discordam entre si, e nenhum deles fala em burgueses.
- Em 1769 e por volta de 1780–91, dois textos de Leipzig imprimiram significados de cartomancia para os naipes. Esses significados se contradizem em três dos quatro naipes.
- Em 1796–98, o dicionário alemão de referência explicou os nomes pelas formas e não deu significado a eles.
- Das Spiel der Hofnung estava à venda em julho de 1797. Em 1799, aparecia no catálogo de Bieling com o nome de J. K. Hechtel. Os exemplares que sobreviveram trazem uma carta alemã e uma francesa em cada figura.
- O folheto (segunda edição) diz que as miniaturas estão lá para os jogos de cartas comuns e para comparar os dois baralhos. Ele oferece um jogo de adivinhação de brincadeira, lido a partir das figuras, e não dá nenhum significado a naipe ou miniatura.
- Entre os baralhos de 36 cartas com o nome Lenormand, o mais antigo cujas cartas foram vistas (Coblença, "Erben Chator", o conjunto registrado pela primeira vez em 1845) tem as figuras do Jogo da Esperança com apenas a carta francesa. As figuras de corte não têm símbolo de naipe.
- A partir de 1879, esses baralhos eram selados e tributados na Alemanha como cartas de jogar de 36 cartas.
Afirmado apenas por autores posteriores
- Que a leitura dos estamentos é medieval: Pierer, em 1860, sem fonte.
- Que folhas = burgueses: aparece primeiro em Herder, em 1857, sem fonte.
- Que os guizos são guizos de falcão: é uma ideia do próprio Stukeley, de 1763.
- Que os ciganos trouxeram as cartas ou a cartomancia para a Europa: aparece primeiro em 1781 (Court de Gébelin). Foi refutado em 1784 e se popularizou depois de 1854.
- Que o baralho de 36 cartas era de Lenormand: os vendedores alegam isso a partir de 1845, dois anos depois da morte dela, sem prova.
- Que o baralho Lenormand descende do Jogo da Esperança: Detlef Hoffmann, segundo o relato de 1996. Nenhum documento da época liga os dois, mas a comparação das cartas sustenta a afirmação: as figuras, a ordem e as cartinhas francesas são as mesmas.
Repetido hoje sem fonte encontrada
- "Folhas = classe média": não vai além de páginas da internet de 2006–07.
- Que Hechtel deu às miniaturas uma "atmosfera de naipe" tirada do folclore germânico (bolotas = dificuldade, folhas = vitalidade): não encontrei nenhuma fonte de época. O folheto dá outro motivo.
- Que o Lenormand de 36 cartas foi "criado na Alemanha em 1846": não vai além de um post de blog de 2013.
- Um baralho vienense de leitura de borra de café de 1794: não vai além de um anúncio londrino de 1796, relatado em 1876.
Ainda não se sabe
- O que o próprio Harsdörffer escreveu. Portanto, não se sabe se as leituras de estações e elementos são do século XVII.
- Como era a primeira edição, de 1797. Ela tinha as duas miniaturas? O folheto tinha o parágrafo de adivinhação?
- Quem eram "Chator" e o editor "J. B. Rüb[…]", e qual edição do conjunto de Coblença sobreviveu. As cartas já são conhecidas por fotografias: são as figuras do Jogo da Esperança com apenas a carta francesa.
- Se o nome de Lenormand aparece no próprio baralho de Munique de 1813 (as cartas vistas não trazem as figuras do Jogo da Esperança), e como é o segundo exemplar de Munique (British Museum 1896,0501.275).
- Quando exatamente a miniatura alemã foi abandonada, e por quê. Pelo que se sabe hoje, ela já não existia no primeiro baralho de 36 cartas com o nome Lenormand (Coblença, a partir de 1845).
- O que dizem sobre os naipes os livros de cartomancia de J. K. Gütle da década de 1790, o Vier Farben de Susanna Rumpler (Leipzig, 1829, um livro que explicaria os naipes alemães para a cartomancia) e o Almanaque da Corte de Gotha de 1782.
10. Mito e registro, num relance
| Você pode ler | O que o registro mostra |
|---|---|
| "Os naipes alemães representam os quatro estamentos medievais." | Dito pela primeira vez em 1763 (Inglaterra) e em 1784 (Leipzig). "Medieval" aparece pela primeira vez em 1860, sem fonte. Para os especialistas, isso não está provado. |
| "Folhas são a classe média / os burgueses." | Stukeley diz gentry, e Breitkopf diz lavradores. "Burgueses" aparece em 1857; "classe média", como fórmula, em 2006–07. |
| "Guizos são guizos de falcão, da nobreza." | É uma ideia de Stukeley, de 1763. Breitkopf pensava em adornos de príncipes, e Adelung diz que o naipe tem esse nome por causa da forma. |
| "Bolotas significam dificuldade." | Um texto de Leipzig (c. 1780–91) diz desgraça. Outro (1769) diz bom sustento e presentes. |
| "Os naipes têm significados fixos de cartomancia." | As duas listas mais antigas se contradizem em três dos quatro naipes. |
| "Hechtel criou o jogo em 1799." | O jogo já estava à venda em julho de 1797. 1799 é a data da lista de vendas de Bieling. |
| "As miniaturas foram escolhidas para ter significado." | O folheto diz que elas estão lá para os jogos de cartas e para comparar os dois baralhos. |
| "Lenormand criou (ou usava) este baralho." | Ela usava um baralho de piquet de 32 cartas. O nome dela foi colocado em conjuntos de 36 cartas a partir de 1845, depois da morte dela. |
| "Os ciganos trouxeram a leitura das cartas para a Europa." | A afirmação foi impressa pela primeira vez em 1781. Não há evidência de ciganos lendo a sorte com cartas antes do século XX. |
11. Como esta pesquisa foi feita, e seus limites
- Lido na imagem da página: as cartas, o estojo e o folheto do Jogo da Esperança no British Museum; o exemplar de Leiden; os registros de 1797 e 1799; os registros de Coblença, de Leipzig e de 1855; a decisão fiscal de 1879; Hargrave, Benham e Hoffmann; páginas-chave de A Wicked Pack of Cards. As citações de Zedler, Breitkopf, Peuschel, Entdektes Geheimniß, Pierer e Stukeley (em Singer) foram conferidas letra por letra nas imagens das páginas.
- Lido só como texto (ainda não conferido na imagem): o texto latino de 1460 (transcrição de Rumpf), a canção de Heidelberg (citada num dicionário), Adelung, Herder, Brockhaus, o Damen Conversations Lexikon e os poetas do século XVII (transcrições do zeno.org; as datas de primeira impressão dos poetas foram citadas de memória, sem verificação).
- Não alcançado: Harsdörffer; Hommel; Hoffmann e Kroppenstedt, Wahrsagekarten (1972), o catálogo especializado mais importante; o segundo baralho de Munique de 1813 (British Museum 1896,0501.275) e o estojo do primeiro; os livros de Gütle; Rumpler 1829; o Almanaque da Corte de Gotha de 1782; a maior parte dos jornais alemães de 1797 a 1850.
- O registro completo do trabalho (cada item, fonte e veredicto) está guardado numa biblioteca de pesquisa com 339 itens e 342 fontes. Quando há uma lacuna aqui, isso quer dizer que a busca parou ali, e não que não exista nada. Se você conhece uma fonte que preencha alguma dessas lacunas, posso verificá-la da mesma forma.
Notas e fontes
- Texto latino, "Cod. Monac. Augustin 84", f. 2, datado de 1460, conforme a transcrição de Marianne Rumpf (1976), pp. 7–8, que cita o Bayerisches Wörterbuch. Transcrição de Rumpf lida como texto; provisória; não conferida no manuscrito. https://kaisern.flow-akademie.ch/texte/marianne-rumpf.pdf ↩ ↩ ↩
- Canção num manuscrito do Palatinado, Universitätsbibliothek Heidelberg, nº 73 em Arthur Kopp (ed.), Volks- und Gesellschaftslieder des XV. und XVI. Jahrhunderts (Berlim, 1905); "pfälz., M. 16. Jh." (Palatinado, meados do séc. XVI) segundo o Frühneuhochdeutsches Wörterbuch. Citada no FWB, verbetes "eichel" e "gras": https://fwb-online.de/lemma/eichel.s.1f ; https://fwb-online.de/lemma/gras.h1.2n ↩ ↩ ↩
- William Stukeley, comunicação à Society of Antiquaries, 9 de novembro de 1763, conforme relatada por Richard Gough e reimpressa em Samuel Weller Singer, Researches into the History of Playing Cards (Londres, 1816), pp. 172–174. Conferido nas imagens das páginas (Internet Archive researchesintoh00sing, pp. 217–218 do PDF). Ainda não conferido na Archaeologia vol. 8 (1787). https://archive.org/details/researchesintoh00sing ↩ ↩
- J. G. I. Breitkopf, Versuch, den Ursprung der Spielkarten, die Einführung des Leinenpapieres, und den Anfang der Holzschneidekunst in Europa zu erforschen, Erster Theil (Leipzig, 1784), pp. 33–34. Conferido nas imagens das páginas, BSB bsb00075470, imagens 55–56. https://www.digitale-sammlungen.de/en/view/bsb00075470?page=55 ↩ ↩
- Pierer's Universal-Lexikon, 4ª ed., vol. 9 (Altenburg, 1860), "Karte [3]", p. 345. Conferido no fac-símile do zeno.org pierer-1857-009-0345 (o "unechten" da transcrição é um erro por "Knechten"). http://www.zeno.org/Pierer-1857/A/Karte+[3] ; http://www.zeno.org/Pierer-1857/K/pierer-1857-009-0345 ↩ ↩
- Hoffmann 1973, p. 171, nota 3. Lido na imagem. https://archive.org/details/playingcardillus0000hoff/page/171/mode/1up ↩ ↩
- Herders Conversations-Lexikon, vol. 5 (Friburgo em Brisgóvia, 1857), "Spielkarten", pp. 284–285. Transcrição do zeno.org. http://www.zeno.org/Herder-1854/A/Spielkarten ↩ ↩
- Johann Heinrich Zedler (ed.), Grosses vollständiges Universal-Lexicon, vol. 15 (Halle e Leipzig, 1737), verbete "Karte", col. 227. Conferido na imagem da página, BSB bsb10326063, imagem 144. https://www.digitale-sammlungen.de/en/view/bsb10326063?page=144 ↩ ↩
- C. A. Peuschel, Abhandlung der Physiognomie, Metoposcopie und Chiromantie (Leipzig, 1769), Anhang (apêndice), pp. 383–384. Conferido nas imagens das páginas, BSB bsb10255390, imagens 413–414. https://www.digitale-sammlungen.de/en/view/bsb10255390?page=413 ↩ ↩
- Entdektes Geheimniß die Karte zu schlagen oder zu legen (Leipzig: Schladebach, sem ano; BSB "[c. 1780]"; a lista de livros encadernada no final imprime 1790 e 1791), pp. 13–14. Conferido nas imagens das páginas, BSB bsb11251579, imagens 19–20. https://www.digitale-sammlungen.de/en/view/bsb11251579?page=19 ↩ ↩ ↩
- Johann Christoph Adelung, Grammatisch-kritisches Wörterbuch der Hochdeutschen Mundart, vol. 2 (Leipzig, 1796), "Laub", pp. 1926–1927. Transcrição do zeno.org. http://www.zeno.org/Adelung-1793/A/Laub,+das ↩ ↩
- Adelung, vol. 3 (1798), "Schelle", p. 1408. http://www.zeno.org/Adelung-1793/A/Schelle,+die ↩ ↩
- Decker, Depaulis e Dummett 1996, pp. 64–65, 214–215, 228–233 (pp. 65, 214 e 232 conferidas na imagem da página). ↩ ↩
- J. P. Thun, Verzeichniß neuer Bücher, caderno "1845. IV.", p. 209. Lido na imagem. https://books.google.de/books?id=P-Ho05HHZCcC&pg=RA3-PA209 ↩ ↩
- Decker, Depaulis e Dummett 1996, p. 142. ↩ ↩
- Hoffmann 1973, p. 59. Lido na imagem. https://archive.org/details/playingcardillus0000hoff/page/59/mode/1up ↩ ↩
- Das Spiel der Hofnung, mit einer neuen Figurenkarte von 36 illum. Blättern. Zweite verbesserte Auflage (Nürnberg, zu finden bei G. P. J. Bieling, s.d.), British Museum 1896,0501.495, pp. 1–4. Lido na imagem, em dois conjuntos de fotografias do museu. https://media.britishmuseum.org/media/Repository/Documents/2019_10/28_8/a1cbc34b_3593_46fc_9101_aaf400872f2b/huge_PPA226444_2.jpg ; https://media.britishmuseum.org/media/Repository/Documents/2019_10/28_8/c77f2bd9_5192_4278_90d5_aaf400877b59/huge_PPA226444_4.jpg ↩ ↩ ↩ ↩ ↩ ↩
- Ronald Decker, Thierry Depaulis e Michael Dummett, A Wicked Pack of Cards: The Origins of the Occult Tarot (Londres: Duckworth, 1996), p. 141 e notas 81–82, p. 282, citando Detlef Hoffmann e Erika Kroppenstedt, Wahrsagekarten (Bielefeld, 1972), p. 17 e nos. 50–63, e O'Donoghue 1901, G. 192. Lido na camada de texto e conferido na imagem da página. ↩ ↩ ↩ ↩ ↩
- Comparação das 36 figuras do Jogo da Esperança com os significados das suas miniaturas em Peuschel 1769, Entdektes Geheimniß (c. 1780–91) e Avé-Lallemant, Das deutsche Gaunerthum, parte 2 (1858), p. 259. Contagem feita pelo pesquisador. ↩ ↩
- Fotografias de um baralho de coleção particular e do seu livreto, publicadas na internet com crédito ao colecionador Wolfgang Kunze (indicação: Helen Riding, "Who's your grandaddy?", blog Lenormand dictionary, 2012, http://lenormanddictionary.blogspot.com/p/whos-your-grandaddy.html). Lidas na imagem; o número da edição e o nome do editor estão em parte rasgados. Compare com o registro da lista de livros de 1845 (Thun, Verzeichniß neuer Bücher, 1845, IV, p. 209). ↩ ↩ ↩
- Circular do Ministério das Finanças da Prússia, 22 de julho de 1879, com a decisão do Chanceler do Império de 15 de julho de 1879, no Central-Blatt der Abgaben-, Gewerbe- und Handels-Gesetzgebung. Lido na imagem. https://books.google.de/books?id=cU6jTFoqU-gC&pg=PA240 ↩ ↩
- Fotografia da folha de instruções e de nove cartas, página de origem não anotada. Lido na imagem. O ano "1868" está impresso ao lado do nome de Lenormand, depois da morte dela, e não serve como data confiável do baralho. ↩ ↩
- Peuschel 1769, Anhang, "II. Das Caffeeschaalengießen" (a leitura da xícara de café), pp. 389–395. Lido como texto OCR, não conferido. https://api.digitale-sammlungen.de/ocr/bsb10255390/419 ↩ ↩
- Coleção de imagens "LISTA DE BARALHOS" (35 baralhos), reunida pelo autor desta página a partir de páginas da internet cujos endereços não foram anotados; todas as imagens examinadas uma a uma em 8 de outubro de 2026. As folhas de contato estão guardadas na biblioteca de pesquisa. Imagens que são restaurações modernas foram usadas apenas para a disposição das cartas. ↩ ↩
- Adelung, vol. 1 (1793), "Daus", p. 1422. http://www.zeno.org/Adelung-1793/A/Daus,+das ↩
- Adelung, vol. 3 (1798), "Ober", pp. 556–558; vol. 4 (1801), "Unter", pp. 895–896. ↩
- Entdektes Geheimniß, p. 28 ("Verhältnis der deutschen Karte zur französischen", relação entre o baralho alemão e o francês). Conferido na imagem da página, imagem 34. ↩
- W. Gurney Benham, Playing Cards: History of the Pack and Explanations of its Many Secrets (Londres, [1931]), p. 11 (texto de resultado de busca). https://archive.org/details/playingcardshist00benh ↩
- Landesmuseum Württemberg, Stuttgart, "Stuttgarter Kartenspiel" ("um 1430"); Timothy Husband, The World in Play (Nova York, 2015), pp. 15–16. ↩
- Kunsthistorisches Museum Wien, Kunstkammer 5024, 5068 ("ca. 1440/45"); Husband 2015, p. 28. ↩
- British Museum 1872,0511.1236 (Virgil Solis, "c. 1550"); British Museum 1896,0501.381 e Metropolitan Museum 26.71.1 (Jost Amman, 1588). ↩
- British Museum 1867,0309.292 ("por volta de 1450–1500"); 1896,0501.522 ("século XV", cartas de Stukeley). ↩
- Detlef Hoffmann, The Playing Card: An Illustrated History (New York Graphic Society, 1973), p. 24. Lido na imagem. https://archive.org/details/playingcardillus0000hoff/page/24/mode/1up ↩
- Hans Schäufelein, Germanisches Nationalmuseum Sp 7074-7120 (por volta de 1535, Husband 2015, p. 97); Peter Flötner, Germanisches Nationalmuseum Sp 7418 (c. 1540, Husband, ensaio do Met, 2016) e British Museum 1896,0501.528. ↩
- Husband 2015, p. 9; Wikipédia em inglês, "German-suited playing cards", citando Michael Dummett, The Game of Tarot (1980), pp. 10–29 (não aberto). ↩
- Johannes de Rheinfelden, Tractatus de moribus et disciplina humanae conversationis (datado pelo próprio texto em 1377), conforme editado e descrito por Edward Schröder, Das goldene Spiel von Meister Ingold (Estrasburgo, 1882), introdução; Basileia, UB F IV 43 (e-codices). Lido como texto OCR. https://www.e-codices.unifr.ch/en/list/one/ubb/F-IV-0043 ↩
- Mestre Ingold, Das guldin spil, ed. Schröder 1882, pp. 61–68 (1432/33, data de Schröder). Lido como texto OCR pela busca interna da BSB. ↩
- Eyn loszbuch ausz der karten gemacht, ed. fac-símile de Adolf Hofmeister (Rostock, 1890); Estrasburgo, c. 1505–1520 segundo Hofmeister (Hoffmann 1973 o data da década de 1480, um conflito). Título lido na transcrição do catálogo. https://archive.org/details/EynLoszbuchAusDerKartenGemacht ↩
- Johann Klaj, Geburtstag deß Friedens (Nuremberg, 1650, data de primeira impressão lembrada), transcrição do zeno.org. http://www.zeno.org/Literatur/M/Klaj,+Johann/Gedichte/Friedensdichtungen/Geburtstag+De%C3%9F+Friedens/Geburtstag+de%C3%9F+Friedens ↩
- Rodada 1 desta pesquisa, seção 2 (proibições de jogo e registros de comércio, séculos XIV–XVII). ↩
- Friedrich von Logau, Sinngedichte, "Charten-Spiel" (primeira impressão 1654, lembrada), transcrição do zeno.org da edição de 1872, p. 368. ↩
- Hans Aßmann von Abschatz, "Labet oder der in den Pamphilius verkleidete Tod" (antes de 1699), transcrição do zeno.org. ↩
- Grimmelshausen, Der abenteuerliche Simplicissimus, livro 1 (primeira impressão 1668, lembrada), transcrição do zeno.org. ↩
- Lehmann, De variis ludendi generibus (Bautzen, 1680), p. 50, conforme citado por S. W. Singer 1816, p. 54. O livro de Lehmann não foi aberto. ↩
- Karl Ferdinand Hommel, Oblectamenta juris feudalis (1755, lembrado), conforme relatado em Pierer's Universal-Lexikon, 4ª ed., vol. 9 (Altenburg, 1860), "Karte [3]", p. 345. Hommel não foi aberto. http://www.zeno.org/Pierer-1857/A/Karte+[3] ↩
- Peuschel 1769, como acima, pp. 382–388 (lido como texto OCR). ↩
- Claude-François Ménestrier, Bibliothèque curieuse et instructive, vol. 2 (1704), pp. 175–176. Lido como texto OCR; apenas paráfrase. Decker, Depaulis e Dummett (1996, p. 75) dão os ouros dele como "Merchants" (mercadores), e a citação de Merlin de 1869 dá "les bourgeois" (os burgueses). https://archive.org/details/bibliothequecur00menegoog ↩
- Breitkopf 1784, p. 33, nota f (lido como texto OCR). ↩
- [Hendrik] Jansen, Essai sur l'origine de la gravure en bois et en taille-douce, vol. 1 (Paris, 1808), p. 89. Lido como texto OCR. https://archive.org/details/essaisurlorigine01jans ↩
- S. W. Singer, Researches into the History of Playing Cards (Londres, 1816), pp. 51–54. Lido na camada de texto da digitalização. https://archive.org/details/researchesintoh00sing ↩
- Joseph Heller, Geschichte der Holzschneidekunst (1823), Beilage I, § 60, p. 299. Lido como texto OCR. https://api.digitale-sammlungen.de/ocr/bsb10801437/337 ↩
- Gabriel Peignot, Recherches historiques et littéraires sur les danses des morts et sur l'origine des cartes à jouer (1826), p. 258. Lido como texto OCR. ↩
- P. Boiteau d'Ambly, Les Cartes à jouer et la cartomancie (Paris, 1854), pp. 79–80. Lido como texto OCR. ↩
- Catherine Perry Hargrave, A History of Playing Cards and a Bibliography of Cards and Gaming (Boston e Nova York, 1930), p. 100 ("husbandmen or citizens") e p. 149 (Rumpler, Vier Farben, Leipzig, 1829). Lido na imagem. https://archive.org/details/historyofplaying00harg/page/100/mode/1up ↩
- Breitkopf 1784, p. 33 (os naipes franceses). Conferido como acima. ↩
- Benham [1931], p. 12. Lido na imagem. https://archive.org/details/playingcardshist00benh/page/12/mode/1up ↩
- Decker, Depaulis e Dummett 1996, pp. 30, 61–62, 72, 75. ↩
- Brockhaus, Conversations-Lexikon, vol. 2 (1809), "Das Kartenspiel", pp. 299–300. Transcrição do zeno.org. http://www.zeno.org/Brockhaus-1809/A/Das+Kartenspiel ↩
- Damen Conversations Lexikon, vol. 9 (1837), "Spielkarten", pp. 351–352. Transcrição do zeno.org. http://www.zeno.org/DamenConvLex-1834/A/Spielkarten ↩
- Brockhaus, Bilder-Conversations-Lexikon, vol. 4 (Leipzig, 1841), "Spielkarten", pp. 246–247. Transcrição do zeno.org. http://www.zeno.org/nid/20000865915 ↩
- Pierer 1860, como acima, o trecho sobre a cartomancia. ↩
- Ludwig Strackerjan, Aberglaube und Sagen aus dem Herzogtum Oldenburg (1867; 2ª ed. 1909), vol. 1, § 113. Transcrição do zeno.org. ↩
- Das Carneval gelehrter Phantasien, ensaio "III. Die Wahrsagerey" (1763, data da biblioteca), pp. 28–32. Lido como texto OCR. BSB bsb10577898. https://api.digitale-sammlungen.de/ocr/bsb10577898/35 ↩
- Decker, Depaulis e Dummett 1996, p. 74 e cap. 2, n. 14. ↩
- Decker, Depaulis e Dummett 1996, pp. 50–51, 74–75 (Tabela I). ↩
- J. W. von Goethe, Dichtung und Wahrheit ("Poesia e verdade"), parte 2, livro 9 (escrito e impresso em 1812; a cena se passa por volta de 1770–71). Transcrição do zeno.org. ↩
- Baralho de cartomancia de naipes alemães, 1793, British Museum (Schreiber German 96); F. M. O'Donoghue, Catalogue of the Collection of Playing Cards … Lady Charlotte Schreiber (Londres, 1901), p. 92. Apenas catálogo. ↩
- Les Amusemens des Allemands, or the Diversions of the Court of Vienna (Londres, 1796), British Museum 1982,U.4637.1-32; W. H. Willshire, Descriptive Catalogue of Playing and Other Cards in the British Museum (1876), p. 294. Apenas registros de catálogo. https://www.britishmuseum.org/collection/object/P_1982-U-4637-1-32 ↩
- Mesma lista, imagens n109 e n225. Lido na imagem. https://archive.org/details/bub_gb_kU9CAAAAcAAJ/page/n225/mode/1up ↩
- Anúncio de Mich. Emmerling, suplemento ao nº 83 da Staats-Relation der neuesten Europäischen Nachrichten, 12 de julho de 1797. Lido na imagem. https://books.google.de/books?id=-ytYAAAAcAAJ&pg=PP28 ↩
- Lista de vendas de Bieling nas capas de Humoristische Blätter für Kopf und Herz (Nuremberg: G. P. J. Bieling, 1799), imagem n109. Lido na imagem. https://archive.org/details/bub_gb_kU9CAAAAcAAJ/page/n109/mode/1up ↩
- G. A. Will e C. C. Nopitsch, Nürnbergisches Gelehrten-Lexicon, parte 6 (1805), p. 37 (texto OCR); GND 1011714507. https://archive.org/details/bub_gb_tDpKAAAAcAAJ ; https://lobid.org/gnd/1011714507.json ↩
- Anúncio de S. G. Hübner, Coburgo, 11 de dezembro de 1813: https://books.google.de/books?id=VQ5GAAAAcAAJ&pg=PA655 ; lista de jogos na Neue Jugend-Zeitung (Leipzig, 1820): https://books.google.de/books?id=9U1QAAAAcAAJ&pg=PT57. Lidos na imagem. ↩
- British Museum 1896,0501.495 e 1896,0501.378; Museum De Lakenhal, Leiden, 3133. Todos lidos nas imagens dos museus. https://www.britishmuseum.org/collection/object/P_1896-0501-495 ; https://www.britishmuseum.org/collection/object/P_1896-0501-378 ; https://www.lakenhal.nl/en/collection/3133 ↩
- British Museum 1896,0501.495, as 36 faces lidas na fotografia do museu. https://media.britishmuseum.org/media/Repository/Documents/2014_11/4_16/6cc71ed1_e34e_4e29_9b13_a3d9010c4f2e/huge_01172643_001.jpg ↩
- British Museum 1896,0501.413, baralho de 36 cartas sem colorir, as 36 faces lidas na imagem e comparadas com 1896,0501.495. Também BM 1896,0501.308 (Dondorf, 27 faces), 1896,0501.479 (Ensslin & Laiblin, 32 cartas, renumeradas), 1896,0501.716 (9 faces). https://www.britishmuseum.org/collection/object/P_1896-0501-413 ↩ ↩
- Contagem feita em BM 1896,0501.495 (cartas e folheto). Apenas contagens. ↩
- Damen Conversations Lexikon, vol. 6 (1836), "Lenormand, Demoiselle"; Herder vol. 3 (1855); Pierer vol. 10 (1860); Meyers vol. 12 (1908); Brockhaus 1911. Transcrições do zeno.org. http://www.zeno.org/DamenConvLex-1834/A/Lenormand,+Demoiselle ↩
- Decker, Depaulis e Dummett 1996, pp. 124–125. ↩
- Decker, Depaulis e Dummett 1996, pp. 138–139 e n. 75 (citando E. Graf, Mythos Tarot, 1989, pp. 81–84, a partir de C. Kiesewetter, Die Geheimwissenschaften, Leipzig, 1895). ↩
- Decker, Depaulis e Dummett 1996, pp. 139–141 e notas 77–79. ↩
- Thun 1846 (imagem de trecho) e Allgemeine Zeitung 1846, p. 2511. Lidos na imagem. https://books.google.de/books?id=dwkteOBJ1BYC&q=Lenormand ; https://books.google.de/books?id=cdtDAAAAcAAJ&pg=RA2-PA2512-IA7 ↩
- Anúncios de Siegel & Stoll, Leipziger Zeitung, outubro a dezembro de 1846, pp. 5777, 6093, 6537. Imagens de trechos, lidas na imagem. https://books.google.de/books?id=3c1NAAAAcAAJ&q=Wahrsagekarten ↩
- Fotografias da carta-título e do livreto Vollständige Wahrsagekunst der Mlle. Le Normand, 2ª ed. (Coblença: J. F. Aug. Reiff, 1847), com as cartas; página de origem não anotada. Lido na imagem. O "B" de "Gräfin von B***" também pode ser lido como "V". ↩ ↩
- Decker, Depaulis e Dummett 1996, p. 141 e n. 80. ↩
- "Miszellen. Demoiselle Lenormand", Der Erzähler (1855), pp. 26–27. Lido na imagem. https://books.google.de/books?id=_ldEAAAAcAAJ&pg=PA26 ↩
- Sophie Pataky, Lexikon deutscher Frauen der Feder (Berlim, 1898), vol. 1, p. 191. Transcrição do zeno.org. http://www.zeno.org/Pataky-1898/A/Endor,+Miss ↩
- Thun 1845–46; Der Erzähler 1855; estojo da Ensslin & Laiblin, British Museum 1896,0501.479; baralho Didot, Yale, Beinecke Library, Cary Collection, PLAYING CARDS GEN 1152 ("[1890?]"). https://collections.library.yale.edu/catalog/10994633 ↩
- Todos os textos do Jogo da Esperança (1797, 1799, 1813, 1820 e o folheto da segunda edição) e todos os textos com o nome Lenormand que foram lidos (1845–1890). ↩
- Baralhos vistos na imagem: BM 1896,0501.413, .479, .308, .716; BnF KH-384; Yale GEN 1152. ↩
- British Museum 1896,0501.463: "Incomplete pack with 34 of 36 of Mlle Lenormand's playing-cards for fortune-telling, without suits. Hand-coloured etching. Backs printed with a small pattern of dots and stars in blue. 1813"; produtor "Anonymous" (registro do museu e imagens das cartas, vistos em 9 de outubro de 2026; os títulos das cartas foram lidos nas imagens, e os pouco legíveis não foram citados). https://www.britishmuseum.org/collection/object/P_1896-0501-463 . Ainda não vistos: o segundo exemplar, British Museum 1896,0501.275 (O'Donoghue 1901, p. 132, atribui os dois a Munique, Baumgartner, 1813), e o baralho do Bayerisches Nationalmuseum, "Wahrsagekarten", 1813, inv. 11/413.1-36. ↩
- Fotografias da caixa e de seis cartas, página de origem não anotada. Lido na imagem. A caixa não traz data. ↩
- Fotografia do baralho das Vereinigte Stralsunder Spielkartenfabriken, carta nº 28, lida na imagem; lei: "Gesetz, betreffend den Spielkartenstempel", 3 de julho de 1878, Reichsgesetzblatt 1878, nº 21, pp. 133–139, § 1 (0,30 marco para baralhos de 36 cartas ou menos) e § 27 (em vigor a partir de 1º de janeiro de 1879), lida na transcrição do Wikisource: https://de.wikisource.org/wiki/Gesetz,_betreffend_den_Spielkartenstempel ↩
- Bibliothèque nationale de France, Estampes, PET FOL-KH-213 (1): "[Jeu de cartes divinatoire, dit 'Petit Lenormand']", Geûens-Seaux (Bruges), 1895–1901, 36 cartas e uma folha de regras, coleção d'Allemagne. Registro de catálogo lido; imagens lidas uma a uma. https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b10529584r ↩
- Bibliothèque nationale de France, Estampes, PET FOL-KH-213 (5): "[Grand jeu de société de Melle Lenormand]", Imp. Bertauts (Paris), 1850–1880, 54 cartas. Registro de catálogo lido; imagens lidas uma a uma. https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b105295873 ↩
- Fotografias de 36 cartas identificadas na coleção como "Mlle. Lenormand's untrügliche Wahrsagekarten, Berlin", página de origem não anotada. Lidas na imagem. Nenhuma carta-título, fabricante ou data aparece nas imagens. ↩
- Cartão de instruções francês, British Museum 1896,0501.716 (c. 1850–1900); folha da Ensslin & Laiblin, Bibliothèque nationale de France, KH-384 (1875–1899), https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b105433047 ; folha Didot, Yale GEN 1152 ([1890?]). Lidos na imagem. ↩
- O'Donoghue 1901, French 60 e German 192; notas de curadoria do BM. https://archive.org/details/catalogueofcoll00brit ↩
- BnF KH-384 (sinais abstratos em molduras em forma de carta); Yale GEN 1152 ("No suit system", catalogador de Yale). ↩
Última verificação: 8 de outubro de 2026. Se você conhece uma fonte mais antiga do que qualquer uma das citadas aqui, especialmente Harsdörffer, Hoffmann e Kroppenstedt 1972, o estojo ou as instruções dos baralhos de Munique de 1813 ou um exemplar da primeira edição do Jogo da Esperança, terei prazer em examiná-la.


